A saga literária do Mulherio

Grupo de mulheres escritoras independentes do Nordeste do Brasil organiza encontros e obras para dar visibilidade à literatura feminina contemporânea 27 de setembro de 2020 Morgana Poiesis

O Mulherio das Letras é um grupo autônomo de mulheres escritoras que surgiu em 2017, no Nordeste brasileiro, com o objetivo de dar visibilidade à literatura feminina contemporânea, homenageando suas precursoras.

O primeiro encontro nacional Mulherio das Letras aconteceu em João Pessoa, Paraíba, tendo como uma das idealizadoras Maria Valéria Rezende, contando com a presença de mais de 500 outras escritoras, artistas e intelectuais do país.

A escritora Maria Valéria Rezende, uma das organizadoras do Mulherio das Letras. (Foto Adriano Franco / Divulgação)

Atualmente, o Mulherio das Letras conta com cerca de 7 mil participantes, se expandido internacionalmente. O grupo se descentralizou em subgrupos representativos de cada estado brasileiro, além do Mulherio das Letras Pretas.

O Mulherio das Letras se articula através de grupos virtuais cujas discussões debatem questões como representação nas literaturas de mulheres, mercado editorial, feminismos, intersecções entre literatura, raça, gênero e sexualidade, dentre outros temas, organizando eventos literários e lançamentos de coletâneas.

O grupo tem sido objeto de análise em artigos acadêmicos como o Mulherio das Letras, escrito pela professora Vera Lúcia de Oliveira, da Università degli Studi di Perugia, Itália, que aborda a questão da emergência de formas alternativas de mobilização feminina no âmbito da literatura brasileira.

Na Bahia, o Mulherio das Letras conta com cerca de 350 participantes, sendo a escritora Lia Sena uma articuladora de destaque. “A horizontalidade é uma das principais premissas do Mulherio das Letras. Não há hierarquia ou distribuição de cargos, a ideia é que todas tenham autonomia. Apenas a título de organização e iniciativas, contamos com articuladoras em cada grupo que coordenam as ações. Sou articuladora do Mulherio baiano porque fui naturalmente, tomando a frente de projetos, organizando e coordenando, desde a primeira Antologia do grupo. Não há atribuições ou obrigatoriedade”, escreve, em entrevista, Lia Sena.

A escritora esteve à frente de algumas ações do grupo, como o lançamento da primeira antologia Outras Carolinas – Mulherio da Bahia e o evento virtual “Não é sobre flores”, tendo como tema, a violência contra a mulher e o feminicídio. A segunda coletânea do Mulherio das Letras da Bahia, intitulada Tabuleiro de Poesia, organizada por Lia Sena, selo editorial Ser MulherArte, foi lançada virtualmente em agosto deste ano, publicando 48 escritoras. O próximo evento virtual do grupo baiano, PANDEART – Em tempos de pandemia, arte, acontecerá de 6 a 8 de novembro, com  rodas de conversas, saraus, oficinas, contações de histórias, lives, etc, homenageando a escritora Jovina Souza.

Na Europa, o primeiro encontro do Mulherio das Letras aconteceu em Paris, 2017. Neste mês de setembro, dos dias 25 a 28, acontece o II Encontro Mulherio das Letras Portugal, em caráter virtual, com lançamento das coletâneas Mulherio das Letras Portugal (poesias, contos e crônicas), organizadas por Adriana Mayrinck, publicando mais de 100 escritoras lusófonas residentes em diversos países, pelo selo editorial In-finita.

O Mulherio das Letras no Brasil se posiciona contra a taxação dos livros proposta pelo governo federal. O grupo tem uma agenda ativa até o final do ano, com um encontro virtual nacional virtual previsto para o mês de outubro. Mais informações podem ser obtidas no perfil do Instagram @mulheriodasletras_oficial.

Foto: Adriano Franco/Divulgação.

Morgana Poiesis é doutora em Performances Culturais (UFG), mestra em Artes Cênicas (UFBA), especialista em Comunicação e Política e graduada em Comunicação Social (Uesb). Técnica-Administrativa da Coordenação de Cultura/Proex Uesb. Responsável pelo blog Morgana Poiesis.

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