Após reunião com governo baiano, assembleias docentes decidem sobre greve na segunda (23)

A proposta governamental está distante das reivindicações docentes 21 de setembro de 2024 Vitor Barboza

Com universidades estaduais em estado de greve, o Fórum das Associações Docentes das Universidades Estaduais da Bahia se reuniu com o governo baiano nesta quinta-feira (19/09), na Secretaria da Educação do Estado da Bahia, em Salvador. Na próxima segunda-feira (23), os professores das quatro universidades estaduais participarão de assembleias para decidir sobre a deflagração da greve. A assembleia da Adusb ocorrerá em Itapetinga, a partir das 14h.

A reunião entre os representantes docentes e o governador Jerônimo Rodrigues (PT) discutiu os índices de reajuste e recomposição salarial para 2025 e 2026. Em vídeo postado no perfil das ADs, formado pela Adufs, Adusb, Aduneb e Adusc, os docentes relataram que o governo apresentou duas propostas: a primeira, para três anos, oferecia um total de 18,7%, resultando em um reajuste de 5,9% por ano; a segunda, para dois anos, oferecia um total de 13%.

“O movimento argumentou ao governo que a proposta era insuficiente. Ao fim da reunião, saímos com uma nova proposta apresentada pelo governo, que totaliza 13,83% em dois anos, sendo 6,8% no primeiro ano e 6,6% no segundo ano”, explicou o coordenador do FADs, Marcelo Lins, diretor da Adusc.

Os professores solicitam um reajuste dividido em três parcelas de 5,5%, o que proporcionaria um aumento real anual de aproximadamente 4,1% durante dois anos, considerando as previsões de inflação para 2024 e 2025, segundo o Boletim Focus. Com essa proposta, o prazo estimado para compensar as perdas salariais acumuladas de 35% seria de cerca de 7 anos.

Nesta sexta-feira (20/09), os representantes das universidades no Fórum das ADs realizarão uma reunião para analisar a proposta que será levada para as assembleias das quatro universidades, todas agendadas para o mesmo dia.

Histórico das propostas

De acordo com a retrospectiva elaborada pela Assessoria de Comunicação da Adusb, em 14 de junho deste ano, o governo estadual apresentou uma proposta inicial de reajuste com três parcelas de 4,7% para os anos de 2025, 2026 e 2027. A Adusb e, posteriormente, o Fórum das ADs rejeitaram a oferta, alegando que não compensava as perdas salariais acumuladas, que totalizam 35%, conforme dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Seis dias depois, em 20 de junho, os representantes das ADs, por meio do Fórum, apresentaram uma contraproposta baseada em um estudo do Dieese, sugerindo reajustes anuais de 11,77% por quatro anos ou 14,67% ao longo de três anos, o que permitiria recuperar a totalidade das perdas de 35% dentro desses prazos.

No dia 1º de agosto, o governo apresentou uma nova proposta, vinculando o reajuste ao IPCA do ano anterior, acrescido de 1%, para os anos de 2025, 2026 e 2027. Com essa oferta, seriam necessários mais de 30 anos para compensar a perda salarial de 35%.

Em 19 de agosto, o governo rejeitou a contraproposta dos docentes, argumentando que a vinculação ao IPCA seria ilegal. Em vez disso, apresentou uma terceira proposta de aumento, com 5,5% a serem pagos em três parcelas ao longo de dois anos (janeiro de 2025, além de janeiro e dezembro de 2026). Essa proposta foi retirada na reunião seguinte, em 26 de agosto, prevendo cerca de 7 anos para recuperar as perdas salariais de 35%.

Na reunião de 26 de agosto, o governo foi questionado sobre a inclusão do ano de 2027 na proposta anterior. Após inconsistências, a proposta de 19 de agosto foi retirada, e uma nova oferta foi feita: um reajuste em três parcelas de 5,7% ao longo de dois anos (janeiro de 2025, janeiro e dezembro de 2026), mas que também se aplicaria aos anos de 2025 a 2027. Esta quarta proposta também foi rejeitada pela Adusb e pelo Fórum das ADs, já que, com ela, seriam necessários quase 20 anos para recuperar as perdas salariais de 35%.

 

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