Empresa terceirizada não paga funcionários da Uesb desde janeiro

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Limpeza Urbana e Terceirizados da Bahia (Sindlimp-BA), a categoria inicará uma grave, caso as pendências não sejam regularizadas 4 de setembro de 2025 Lavínia Marinho*

Os funcionários terceirizados de jardinagem e serviços gerais da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) não recebem salários desde janeiro deste ano, assim como o repasse do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Devido aos problemas contratuais com a prestadora de serviço, a empresa Positiva Empreendimentos e Serviços Eireli, a Uesb assumiu até o mês de agosto a responsabilidade de pagar os trabalhadores.

Na terça-feira (02/09), os servidores se reuniram com representantes do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Limpeza Urbana e Terceirizados da Bahia (Sindlimp-BA) para debater a situação. Durante o encontro, após votação entre os presentes, foi decidido que a categoria iniciará uma greve, caso as pendências não sejam regularizadas. 

Segundo o diretor jurídico do Sindilimp-BA, Reinaldo Neris, em uma reunião entre o sindicato e a Prefeitura de Campus, realizada no dia 27 de agosto, a Uesb afirmou que não irá mais assumir os pagamentos que deveriam ser feitos pela Positiva Empreendimentos. Diante disso, a categoria cogita a greve. “Se não vai pagar o salário de ninguém, então não vai ter o serviço”, afirmou o sindicalista.

Depois de ouvir a posição da Uesb, os trabalhadores realizaram uma assembleia no dia 29 de agosto. No encontro, a categoria decidiu por ingressar com uma ação coletiva movida pelo sindicato contra a Positiva Empreendimentos e Serviços Eireli e a Uesb. O processo foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

“Em pleno 2025, passamos por uma situação dessa. É muito humilhante para um trabalhador. A gente acha que vai melhorar, mas ao invés de engrenar, para tudo. A gente fica devendo cartão, banco. Temos a esperança da empresa pagar no próximo mês, mas ela não paga. Aí vem os juros de novo. Ficamos nessa montanha-russa”, desabafou o servidor terceirizado Danilo Nascimento, que trabalha como porteiro na Uesb.

Danilo contou ainda que o descumprimento dos direitos trabalhistas afeta não apenas o  financeiro, mas também a saúde mental. “O psicológico da pessoa vai a 1.000,  a gente devia ter um psicológico bom, mas não tem por causa dessa empresa”, enfatizou. 

A reportagem buscou posicionamento da Uesb, por meio de e-mail enviado no dia 02 de setembro, mas não obteve respostas até a publicação desta matéria. 

Histórico da empresa 

Em Vitória da Conquista, a Positiva Empreendimentos e Serviços Eireli presta serviços não apenas para a Uesb. No Hospital Geral (HGVC) e na Secretária Municipal da Fazenda, também trabalham funcionários contratados pela empresa. 

No HGVC, de acordo com o Sindlimp-BA, a prestadora de serviço está há quatro anos sem recolher o FGTS dos empregados. Também não houve reajuste salarial de 2025, pagamento dos retroativos, além da suspensão do plano de saúde e férias pagas com atrasos. 

Na Secretária Municipal da Fazenda, a situação é parecida. Os funcionários estão há 11 meses sem o recolhimento do FGTS, sem reajuste salarial, com os planos de saúde e odontológico suspensos e o vale alimentação referente a agosto sendo pago de maneira fragmentada.

Terceirização na Uesb 

Essa não é a primeira vez que os terceirizados da Uesb enfrentam problemas para o recebimento dos salários. Em 2024, a antiga empresa prestadora de serviço de limpeza, A7 Serviços, também não pagava regularmente os servidores. Com as contas bloqueadas judicialmente, a instituição passou meses sem remunerar os trabalhadores e a universidade teve que assumir os custos. Na época, as irregularidades levaram os funcionários a paralisarem as atividades por 11 dias.

Foto de capa: Sindlimp-BA

*Lavínia Marinho é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.

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