Policial é condenado a mais de 33 anos de prisão por feminicídio da conquistense Ana Luiza Souto

Amauri dos Santos Araújo aguardava a sentença em prisão domiciliar. Decisão foi proferida pela Justiça de Minas Gerais no dia 18 de setembro 23 de setembro de 2025 Sofia Rezende e Estela de Assis*

O policial militar Amauri dos Santos Araújo foi condenado a 33 anos e oito meses de prisão por matar a ex-namorada, a conquistense Ana Luiza Souto Dompsin, no ano de 2021. A decisão foi proferida pelo Tribunal do Júri de Pedra Azul, em Minas Gerais, no dia 18 de setembro.

O julgamento começou na terça (16/09), por volta das 9h, e terminou na noite de quarta (17/09). O crime foi enquadrado como feminicídio qualificado por motivo torpe, dificuldade de defesa da vítima e violência de gênero.

Ana Luiza era natural de Vitória da Conquista, mas trabalhava como dentista em Divisa Alegre (MG), onde foi assassinada. Durante a leitura da sentença, o juiz ressaltou que Amauri tinha um histórico de agressões contra a vítima e agiu por sentimento de posse, motivo pelo qual foi condenado por feminicídio.

Entenda o caso

O crime aconteceu na madrugada de 23 de março de 2021, na cidade de Divisa Alegre (MG). A dentista estava dentro de casa quando foi atingida por um tiro na nuca. Os policiais chegaram no local após receberem uma denúncia anônima. 

De acordo informações da TV Sudoeste, a mãe de Ana Luiza disse que a filha pretendia pôr fim ao relacionamento com Amauri. Ela revelou os planos à mãe durante uma ligação, no mesmo dia em que ocorreu o crime. Pouco depois, a dentista e o militar se encontraram e ela foi morta.

Amauri Araújo foi preso apenas em 15 de abril de 2021, após ter a prisão preventiva determinada pela Justiça. Ele estava em Cândido Sales quando foi abordado pelos policiais da cidade de Pedra Azul (MG).

O réu alegou, na época, que a vítima teria usado sua arma para tirar a própria vida, no entanto, a versão foi contestada na investigação. O PM foi detido, mas depois foi liberado para aguardar o julgamento com uso de tornozeleira eletrônica, em Cândido Sales, onde morava.

Em julho de 2025, durante a audiência que deveria determinar a deliberação do caso, a Justiça voltou atrás e declarou a prisão preventiva do homem. Antes de ser condenado, Amauri aguardava o resultado do processo em prisão domiciliar. Após sentença, a pena prevista para o PM é de regime fechado. 

Feminicídio em Minas e na Bahia

Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), de janeiro a setembro de 2024, o número de vítimas de feminicídio caiu de 142 para 108, cerca de 23,9% em comparação ao mesmo período de 2023. Os dados também são menores quando comparados com os mesmos meses de 2022, com cerca de 129 vítimas.

Em relação à violência doméstica, o estado teve 1.901 registros a menos nos nove primeiros meses de 2024, uma redução de 1,68% em comparação com o mesmo período do ano anterior, de 113.097 para 111.196 registros.

No primeiro semestre de 2025, o estado registrou em média um feminicídio a cada três dias. Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, 718 mulheres foram mortas no Brasil no primeiro semestre do ano. Desse total, 60 foram em Minas Gerais. O estado ocupa atualmente a segunda posição no ranking nacional de feminicídios. 

Na Bahia, de acordo com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em parceria com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), foram registrados, de 2017 a 2024, 790 feminicídios. Somente em 2024, ocorreram 111 feminicídios. Isso significa que, em relação ao ano anterior, houve uma redução de 3,5%, quando foram registrados 115 casos. 

No ano de 2024, de cada cinco mulheres que morreram de forma violenta, duas foram assassinadas por feminicídios. A maioria das vítimas são mulheres entre 30 e 49 anos, pretas e pardas e não solteiras. Além disso, 72,1% dos casos ocorreram dentro do domicílio da vítima, e 84,4% dos autores dos crimes eram parceiros íntimos da vítima (companheiros ou ex-companheiros e namorados).

*Sofia Rezende e Estela de Assis são bolsistas do Programa de Extensão Jornalismo como forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.

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