Prefeitura de Conquista assina contrato de R$25 milhões com o Banco do Brasil para drenagem

O recurso faz parte do pacote aprovado pela Câmara de Vereadores, em 2025, que autoriza a contratação de empréstimos de até R$400 milhões 9 de abril de 2026 Pedro Meireles*

A Prefeitura de Vitória da Conquista assinou um contrato de operação de crédito no valor de R$25 milhões com o Banco do Brasil na última segunda-feira, 6 de abril, para a realização de obras de drenagem no município. O recurso faz parte do pacote aprovado pela Câmara de Vereadores, em dezembro de 2025, por meio da Lei nº 3.088, que autoriza a contratação de empréstimos com valor total de até R$400 milhões.

Autorizado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), o empréstimo será  liberado em parcela única. Com a assinatura do contrato, o próximo passo é a abertura do processo licitatório para seleção da empresa responsável por executar as obras. Em publicação oficial, a Prefeitura afirmou que a verba será utilizada para reforçar canais de escoamento e galerias de drenagem pluvial, mas não especificou os bairros.

As obras de drenagem são demandas históricas da cidade que ganharam evidência neste ano após a enxurrada que levou à morte de Rosânia Silva Borges, no bairro Jurema. Nos meses de fevereiro e março, Vitória da Conquista registrou médias de chuva acima da série histórica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), atingindo índices dez vezes maiores que a média dos mesmos períodos de 2025. 

Além da assinatura do contrato com o Banco do Brasil, o governo municipal anunciou, também na segunda, 6 de abril, o início da instalação de guard-rails (muretas de segurança) no canal de drenagem da Avenida Caracas, local onde Rosânia foi levada pela água. A medida foi autorizada pela prefeita Sheila Lemos (UB) no dia 10 de março, com contratação do serviço por dispensa de licitação.

Outras obras de macrodrenagem para o bairro Jurema foram anunciadas pela Prefeitura no dia 25 de março, por meio da Concorrência nº 90004/2026. O edital de licitação prevê a instalação de galerias de concreto armado de alta vazão na Avenida Caracas, além de intervenções em aproximadamente 550 metros da Avenida Juracy Magalhães, em direção ao deságue no Rio Verruga. O valor da obra é R$10 milhões, viabilizado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal. 

Outros empréstimos

Em outubro de 2025, a prefeita Sheila Lemos enviou à Câmara de Vereadores o Projeto de Lei nº 36/2025, solicitando autorização para a contratação de empréstimo de até R$400 milhões. A proposta incluiu obras para ampliação da infraestrutura, mobilidade urbana e saneamento básico, sem especificar quais bairros receberiam os recursos. O PL foi aprovado no mês de dezembro, com 18 votos favoráveis e 2 contrários.

Antes da aprovação dos R$400 milhões, a Prefeitura já acumulava um histórico de empréstimos vinculados ao Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa), da Caixa Econômica Federal. Em 2018, o ex-prefeito Herzem Gusmão firmou o primeiro acordo com a Caixa, correspondente a R$45 milhões. Conforme nota da gestão Sheila Lemos ao Conquista Repórter, o montante destinou-se à pavimentação do Conveima I, atualização do Aterro Sanitário e intervenções nos povoados Cabeceira e Itaipu.

Em novembro de 2019, veio a aprovação do Finisa II, com R$60 milhões repassados, incluindo R$10 milhões do Finisa Ilumina, linha de crédito voltada à modernização da iluminação pública. O segundo empréstimo priorizou a Estação Herzem Gusmão, que consumiu R$7 milhões dos cofres públicos, além da ampliação da iluminação.

O Finisa III, contratado em junho de 2023 pela atual prefeita, alcançou o valor de R$160 milhões, triplicando o empréstimo prévio. A quantia foi destinada à requalificação da Avenida Brumado e à edificação do Centro Especializado de Atenção à Mulher e à Infância, ambas obras em andamento. O Finisa III foi dividido em três parcelas: R$30 milhões em 2023; R$120 milhões em 2024 e R$10 milhões em 2025. 

Urgência na Avenida Caracas

A implementação de um sistema de drenagem adequado na Avenida Caracas, no bairro Jurema, se tornou prioridade para a gestão municipal após uma série de enxurradas no local. Em novembro de 2025, o servidor público Gerald Saraiva foi arrastado com o seu carro para o interior de um córrego. Ele ficou desaparecido por algumas horas, mas foi encontrado com vida na Avenida Bartolomeu de Gusmão.

Já no dia 9 de março de 2026, um temporal deixou a avenida completamente submersa em poucos minutos. Na ocasião, a enxurrada arrastou duas vítimas, sendo uma delas Rosânia Silva Borges. Mãe de cinco filhos e moradora do bairro Vila América, ela foi encontrada sem vida às margens do Rio Verruga, próximo à região do Povoado do Capinal.

A tragédia gerou protestos e cobranças por parte da família da vítima. No dia 24 de março, parentes e amigos de Rosânia caminharam da Avenida Caracas até a porta da Prefeitura, no Centro, com cartazes, flores e velas. O ato pediu justiça pela moradora do Vila América e a realização de medidas de segurança no local.

Foto de capa: Secom/PMVC

*Pedro Meireles é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.

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