Presidente de abrigo para vítimas de violência doméstica é presa suspeita de tortura em Jequié
Imagem de câmera de segurança mostra momento que Elma Brito puxa cabelo, dá tapa no rosto, arrasta pelo chão e acorrenta adolescente de 17 anos 23 de março de 2026 G1 BA e TV SudoesteA presidente da Casa das Mulheres, de Jequié, no sudoeste da Bahia, foi presa nesta segunda-feira (23), suspeita de tortura dentro da instituição, que é voltada à proteção de vítimas de violência doméstica. Os crimes foram flagrados por câmeras de segurança.
A suspeita presa foi identificada como Elma Vieira Brito, de 51 anos. Segundo a TV Sudoeste, afiliada da TV Bahia na região, a Polícia Civil também procura por uma assistida da fundação, identificada como Nadir Carvalho. Ela aparece em uma das imagens ajudando a presidente durante uma agressão contra uma adolescente.
Por causa das agressões, a Polícia Civil fez a Operação Elas por Elas, que além dos dois mandados de prisões temporárias, também cumpriu quatro de busca e apreensão no município. Foram apreendidos celulares, computadores, documentos e um carro.
Nas imagens das câmeras de segurança, uma adolescente é puxada pelos cabelos, recebe um tapa no rosto e é arrastada pelo chão por Elma Brito. Em seguida, Nadir Carvalho a segura e a presidente a acorrentada.
A agressão durou mais de sete minutos. Não há informações sobre a motivação do crime.
A investigação apura a prática dos crimes de tortura, peculato, estelionato e lavagem de capitais.
A polícia informou que também foram identificados indícios de irregularidades financeiras, incluindo possível desvio de recursos públicos e movimentações consideradas suspeitas, além da instalação de câmeras de monitoramento em um dos quartos, o que configura violação à intimidade das acolhidas.
A Polícia Civil informou que a Justiça autorizou o afastamento cautelar da diretoria da entidade investigada, a nomeação de interventor judicial para administração provisória da instituição e o acesso a informações da entidade.
A decisão também prevê o encaminhamento das possíveis vítimas à rede de proteção social, com acompanhamento especializado.
Foto de capa: Reprodução/Redes Sociais
*Esta reportagem foi publicada originalmente pelo G1 Bahia