Primeira-dama de Jequié é exonerada da Secretaria de Saúde após ofensas a estudantes e trabalhadores
Mariana de Freitas Oliva repostou no Instagram texto que chamava estudantes, artistas e trabalhadores de “maconheiros” e “cheiradores” 27 de outubro de 2026 < Lázaro OliveiraA primeira-dama de Jequié, Mariana de Freitas Oliva, foi exonerada do cargo de secretária municipal de Saúde nesta terça-feira (27/10) após ofender estudantes e artistas, eleitores do presidente Lula, em publicação nas redes sociais. A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Município, com validade a partir de 1º de novembro.
Esposa do prefeito Flavinho Santana (União Brasil), Mariana ocupa a função na administração desde maio de 2026. Após a vitória do petista nas urnas no último domingo (25/10), ela repostou no Instagram um texto que chamava estudantes, artistas e trabalhadores de “maconheiros” e “cheiradores”.
“Hoje comemora quem não produz, não trabalha e não quer trabalhar”, diz um trecho da mensagem. “Quem é maconheiro, os artistas cheiradores e estudantes revolucionários”, continua o texto. A publicação original foi feita pelo mentor de posicionamento e imagem, João Menna.
Na rede social, na segunda-feira (26/10), a primeira-dama pediu desculpas e alegou não ter lido a mensagem atentamente antes de republicá-la. Em seguida, desativou seu perfil no Instagram. O posicionamento aconteceu após a repercussão negativa da publicação.
Na mesma segunda, eleitores de Lula realizaram um panelaço em frente à Prefeitura, demonstrando insatisfação com as declarações. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Uesb de Jequié, junto com Centros Acadêmicos, repudiou a atitude da ex-secretária por meio de nota publicada no Instagram.
“Por trás de cada estudante existe uma história. Muitos conciliam trabalho e estudo, enfrentam dificuldades para permanecer na graduação e lutam por melhores condições de vida. Chamá-los de improdutivos é ignorar a realidade de quem constrói o próprio futuro e contribui diariamente para a sociedade”, diz o comunicado.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subseção Jequié também publicou uma nota de repúdio, afirmando que o “conteúdo promove a desqualificação, a estigmatização e o menosprezo de cidadãos brasileiros em razão de suas escolhas político-eleitorais.”
Na manhã desta terça-feira (27/10), O GTPCEGDS (Grupo de Trabalho de Políticas de Classe para as Questões Étnico-Raciais, de Gênero e Diversidade Sexual), da Associação dos Docentes da Uesb (Adusb), foi outra organização que repudiou as falas da primeira-dama.
“Trabalhadores(as), artistas, professores(as) e estudantes do município de Jequié contribuem para o desenvolvimento econômico, social e cultural do município e região e não podem ser taxados de “improdutivos” por uma pessoa que não reconhece essas prerrogativas nos cidadãos(ãs)”, afirmou o GT da Adusb.
Contexto eleitoral em Jequié
O atual prefeito de Jequié, Flavinho Santana (União Brasil), declarou publicamente apoio a Flávio Bolsonaro (PL) durante as eleições de 2026. Ele assumiu a Prefeitura em abril deste ano, após o então prefeito, Zé Cocá (PP), renunciar ao cargo para se candidatar à posição de vice-governador da Bahia em coligação com ACM Neto (União Brasil).
Na cidade de Jequié, Lula recebeu 58,86% no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 34,70% dos votos válidos. Já no segundo turno, a vantagem de Lula aumentou: o presidente recebeu 64,87% dos votos, contra os 35,13% de Flávio.
Foto de capa: Reprodução
*Lázaro Oliveira é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como forma de Transformação Social no combate à Desinformação.