Professor da Uneb é agredido no 7 de Setembro em Conquista; Organização do Grito dos Excluídos repudia truculência municipal

Até o momento, a Prefeitura de Vitória da Conquista não se manifestou sobre a violência contra o docente. Movimentos sociais denunciam ação truculenta de servidores municipais 8 de setembro de 2026 < Malu Castro e Karina Costa

Em nota lançada nesta terça-feira (8/09), o Fórum Sindical e Popular de Vitória da Conquista, responsável pela organização do 32º Grito dos Excluídos, denuncia que um professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) foi hospitalizado após sofrer agressão durante o desfile de 7 de setembro. Segundo o comunicado oficial, Marcelo Neves foi atingido com um golpe na cabeça por uma pessoa que vestia uma camisa da Secretaria Municipal de Educação (Smed). Até o momento, o órgão não se manifestou sobre o caso do docente.

Os participantes da marcha afirmam que foram tratados com truculência por servidores municipais, na saída do desfile, entre o Centro Cultural Glauber Rocha e o Posto Tigrão, na manhã da segunda-feira (7/09). Na nota de repúdio, as entidades que compõem o Fórum relatam que foram acompanhadas continuamente pela Guarda Municipal, por funcionários da Smed e pela Polícia Militar, no que classificaram como uma atitude com “caráter de vigilância, intimidação e constrangimento.”

Durante o 32º Grito dos Excluídos, estavam presentes representantes da Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Adusb), da Associação dos Professores Licenciados do Brasil (APLB), representações de partidos políticos, do Sindicato do Magistério Municipal do Público (Simmp), do Sindicato dos Bancários e da União de Mulheres de Vitória da Conquista.

Em uma nota publicada nesta terça-feira (8/09), o Simmp afirma que “presenciou de perto a forma desrespeitosa com que a secretaria conduziu a organização do evento”. Em comentários nas redes sociais, pessoas que estavam presentes no ato também relatam ter presenciado as agressões e a forma truculenta como foram tratados os movimentos sociais.

“Eu estava lá e vi a forma truculenta e desnecessária que os servidores agiram”, disse um internauta. Outra moradora da cidade contou que foram horas de negociação até que o Grito dos Excluídos pudesse desfilar. “Eu estava lá e sofri agressão dos representantes da prefeitura e não deixaram nosso carro passar junto com o movimento”, escreveu.

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Nas redes sociais, pessoas relataram que presenciaram a truculência dos servidores, enquanto outras criticaram o Grito dos Excluídos.

Além da constante vigilância e da truculência, os participantes da marcha denunciam que a prefeita Sheila Lemos e outros membros da gestão municipal deixaram o desfile antes da passagem do Grito dos Excluídos que, neste ano, teve como tema ‘Vida em Primeiro Lugar’. O movimento abordou questões como a luta pela terra, o direito à moradia, o fim da escala de trabalho 6×1 e o combate à violência contra a mulher.

Em nota enviada ao Avoador, a Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria de Educação, afirma que a organização “atuou no controle de acesso e na orientação dos participantes”. Segundo o órgão, os integrantes do Grito dos Excluídos “tentaram acessar a avenida e inverter a ordem previamente definida, interferindo no andamento da programação e provocando uma situação de tumulto no desfile.” 

Nesta terça-feira (8/09), o Avoador voltou a questionar o governo municipal, desta vez sobre a denúncia de agressão ao professor Marcelo Neves. Às 16h26, a Secretaria de Comunicação enviou à Redação a mesma nota emitida no dia 7 de setembro, sem menção ao caso do docente. 

Agressão física contra professor 

De acordo com a organização do Grito dos Excluídos, após a agressão, o professor Marcelo Neves registrou um Boletim de Ocorrência no Distrito Integrado de Segurança Pública (Disep). Em seguida, precisou buscar atendimento médico e, depois de uma tomografia computadorizada, foi identificado um sangramento no crânio. 

Segundo o professor Herberson Sonkha, também integrante de movimentos sociais de Conquista, Marcelo foi internado e, após cumprir seis horas em observação, foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permanece sob monitoramento. 

“A agressão contra Marcelo Neves, se confirmada como motivada por razões político-ideológicas ou vinculada a grupos organizados, exige apuração rigorosa por parte das autoridades competentes”,  ressalta Sonkha. 

O Centro Acadêmico do curso de História da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), em nota lançada nesta terça-feira (8/09), também repudiou a agressão contra Marcelo. A entidade estudantil afirmou ainda que a nota emitida pela Prefeitura busca criminalizar os movimentos sociais. “Repudiamos essa tentativa de criminalizar a luta popular”, escreveu o CA.

Realizado desde 1995, o Grito dos Excluídos é responsável por dar visibilidade a movimentos sociais, defender direitos, afirmar a democracia e denunciar as desigualdades estruturais do país. O ato ocorre anualmente no dia 7 de setembro, data que marca a Independência do Brasil. 

O 32º Grito dos Excluídos aconteceu no dia 7 de setembro de 2026, na Avenida Integração, entre os bairros Brasil e Centro. Foto: Dayse Maria

Em Vitória da Conquista, a manifestação integra a programação do desfile há 32 anos. Entretanto, segundo o Fórum Sindical e Popular, nos últimos anos, houve uma mudança na forma como o movimento é tratado pela gestão municipal. “Em 2026, os acontecimentos ultrapassaram qualquer limite aceitável”, diz o grupo em nota.

“Cobramos a identificação e apuração da conduta dos envolvidos; o esclarecimento sobre o eventual vínculo do suposto agressor com a Smed; a investigação da agressão contra o professor; e a garantia de que o movimento possa exercer o seu direito de manifestação sem cerceamento, intimidação ou violência”, finaliza o Fórum Sindical e Popular.

Foto de capa: Dayse Maria