Público lota Teatro Glauber Rocha no primeiro debate dos candidatos à reitoria da Uesb
O evento reuniu a comunidade para ouvir as propostas das chapas “Uesb: Viva e Democrática (1)”, “Cuidar para Transformar (2)” e “Uesb cada vez mais forte (3)”, mas não contou com intérpretes de Libras para acessibilidade 26 de março de 2026 Rebecca Di Pardi*O primeiro debate entre as chapas candidatas à reitoria da Uesb no pleito de 2026 lotou o Teatro Glauber Rocha, no campus de Vitória da Conquista, na noite desta quarta-feira (25). Com um público de mais de 300 pessoas, o encontro reuniu a comunidade acadêmica para ouvir as propostas das chapas “Uesb: Viva e Democrática (1)”, “Cuidar para Transformar (2)” e “Uesb cada vez mais forte (3)”.
Organizado pela comissão eleitoral, o debate começou por volta das 18h40, quando estudantes, professores e técnicos já ocupavam quase todas as cadeiras disponíveis no auditório. Poucos minutos após o início das discussões, não havia mais assentos e parte do público acompanhou a atividade de pé até o final.
Conforme a homologação de inscrição, seis docentes da Uesb compõem três chapas e pleiteiam os cargos de reitor(a) e vice. Participaram do debate Madalena Souza e Daniel de Melo Silva, da Chapa 1; Robério Rodrigues e Francys Cerqueira, da Chapa 2; e Reginaldo Pereira e Cássia Brandão, da Chapa 3.
O debate foi dividido em cinco blocos. Logo no início, o presidente da comissão eleitoral, o professor Vinícius Correia Santos, informou que a atividade não contaria com interpretação em Libras. Em entrevista ao Site Avoador, ele explicou que o serviço foi solicitado ao setor da Uesb responsável por disponibilizar o profissional intérprete. “Solicitamos e disseram que não tinham como atender à demanda. Estamos fazendo o possível para garantir nos outros debates”, afirmou.
No primeiro bloco, foi feita a apresentação das chapas, com cinco minutos para o pronunciamento de cada candidato. Na segunda parte, foram respondidas perguntas enviadas pela comunidade acadêmica, por meio de formulário online, e, na sequência, as chapas fizeram perguntas entre si. O bloco quatro abrangeu temas estratégicos, como pesquisa, ensino e extensão. Por fim, os candidatos fizeram suas considerações finais.
Permanência, assédio e protagonismo
Os representantes da Chapa 2, “Cuidar para Transformar” iniciaram o debate, conforme ordem definida por sorteio. Durante sua fala de apresentação, a professora e candidata à vice-reitora, Francys Cerqueira, criticou a ausência de intérprete de Libras no evento. “Muito me entristece ver um professor dessa universidade, o professor Leandro Viturinno, professor surdo, vir para essa plenária e ficar sem intérprete. Esse é o olhar da universidade que é excludente e que não pensa em acessibilidade para todas as pessoas”, disse.
Na sequência, os candidatos das Chapas 1 e 3 fizeram suas apresentações, destacando as trajetórias na universidade e os projetos que defendem para o futuro da Uesb. O bloco dois começou com perguntas enviadas por estudantes. A primeira foi sobre políticas de permanência para mães discentes do período noturno, que enfrentam dificuldades para conseguir vagas na Creche do Bem-Querer.
Também no bloco dois, na seção de perguntas enviadas por docentes, entrou em pauta o combate ao assédio moral e ao abuso de poder na universidade. A Chapa 3, de Reginaldo Pereira e Cássia Brandão, primeira a responder a pergunta, destacou a necessidade de uma apuração rigorosa das denúncias, além de acolhimento qualificado, garantia de sigilo das vítimas e melhor organização dos fluxos de encaminhamento.
Já a Chapa 2, de Robério Rodrigues e Francys Cerqueira, que respondeu na sequência, defendeu a criação de uma política institucional de enfrentamento ao assédio, afirmando que não é possível lidar com a questão “apenas por meio de cartilhas”. Eles reforçaram ainda a necessidade de punição para agressores, ressaltando que a universidade também pode ser um espaço assediador.
A Chapa 1, de Madalena Souza e Daniel de Melo Silva, que respondeu por último, apontou que o assédio é praticado por cargos de chefia na universidade e propôs a implantação de uma ouvidoria voltada para mulheres. Além disso, a dupla defendeu que a política de combate ao assédio deve ir além de resoluções formais, criando mecanismos que funcionem na prática, com foco na escuta das vítimas.
O terceiro bloco, quando os candidatos puderam fazer perguntas entre si, foi marcado por tensão entre as Chapas 1 e 2. A professora Francys Cerqueira, candidata à vice-reitora na Chapa “Cuidar para Transformar”, defendeu que está como vice e não “cabeça de chapa” por escolha própria. Ela direcionou o questionamento à candidata à reitora da Chapa 1, “Uesb: Viva e Democrática”, Madalena Souza, que durante a campanha vem indagando sobre a ausência de mulheres como líderes das chapas.
“Não falem por mim. Eu escolhi estar nesse lugar como vice. Se não respondeu, é porque concorda que uma mulher como eu, com a trajetória que eu tenho em movimento social e de luta nessa universidade, não tem condição de estar nesse lugar. Mas eu tenho e estou aqui”, afirmou Francys. A candidata Madalena respondeu com outra pergunta. “Por que nas chapas 2 e 3, as mulheres não lideram as chapas?”. O embate gerou reações da plateia, com gritos das torcidas.
Ensino, pesquisa e extensão
No bloco quatro, a extensão universitária foi um dos destaques. O candidato à reitor pela Chapa 3, Reginaldo Pereira, foi o primeiro a responder. Ele disse que “a Uesb precisa ousar na sua extensão cada vez mais”, a partir da produção de conhecimento que não fique restrita ao meio acadêmico, mas que dialogue diretamente com a sociedade.
Representante da Chapa 2, a candidata à vice-reitora Francys Cerqueira, foi a segunda a responder e enfatizou a importância de ampliar o alcance da universidade, especialmente para comunidades negras e indígenas. Ela defendeu que essas populações precisam não apenas acessar a universidade, mas também ter maior integração com ela.
Por fim, Madalena Souza, candidata à reitora da Chapa 1, destacou a necessidade de retomar ações que devolvam o protagonismo da Uesb. Ela mencionou ainda o projeto de ampliar os segmentos da sociedade atendidos pelas ações extensionistas e fortalecer a extensão como mecanismo de transformação social.
- Chapa 1 – Uesb: Viva e Democrática
- Chapa 2 – Cuidar para Transformar
- Chapa 3 – Uesb cada vez mais forte
O debate chegou ao fim por volta das 21h40. No lado direito do auditório, os apoiadores da Chapa 2, “Cuidar para Transformar”, contribuíram para esquentar a disputa entre os candidatos, entoando gritos e balançando balões vermelhos e azuis. As torcidas das Chapas 1, “Uesb: Viva e Democrática”, e 3, “Uesb cada vez mais forte”, embora menos volumosas, também se manifestaram com gritos e adesivos estampados nas roupas.
Na noite da quarta-feira (25), o debate foi transmitido ao vivo pelo canal da Uesb no Youtube. Porém, nesta quinta (26), a live não está mais disponível na plataforma, o que gerou críticas da comunidade acadêmica.
Próximos debates
Os debates serão realizados nos três campi da Uesb. Em Vitória da Conquista, haverá mais um debate nesta quinta-feira (26), organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), às 19h, no Teatro Glauber Rocha. O foco da discussão será a pauta estudantil, com temas como assistência, Restaurante Universitário (RU), residência universitária e políticas afirmativas.
Em Itapetinga e Jequié, respectivamente, os debates estão marcados para os dias 31 de março e 8 de abril. A votação para eleger os novos gestores da universidade será no dia 15 de abril, nos três campi.
Perfil dos candidatos
Chapa 1 – “Uesb: viva e democrática”: candidata a reitora, Maria Madalena Souza dos Anjos Neta é graduada em Administração e Direito, mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e doutora em Planejamento Territorial e Gestão Ambiental pela Universidade de Barcelona. Atua como professora do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas (DCSA) e coordena o curso de Pós-Graduação em Gestão Pública Municipal na Uesb. Entre 2014 e 2018, foi pró-reitora de Extensão na universidade. Foi diretora do DCSA nos períodos de 2005 a 2009 e de 2020 a 2024. É também professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Saúde na Uesb.
Candidato a vice-reitor, Daniel de Melo Silva possui Bacharelado em Farmácia e Habilitação em Farmácia Industrial pela Universidade Tiradentes (UNIT). Entre 2004 e 2010 fez Mestrado em Química e Biotecnologia e Doutorado em Química e Biotecnologia pela Universidade Federal de Alagoas. Tem experiência na área de Farmácia, com ênfase em Química de Recursos Naturais. Atualmente, é professor Titular do Departamento de Ciências e Tecnologia da Uesb, campus Jequié.
Chapa 2 – “Cuidar Para Transformar”: candidato à reitor, Robério Rodrigues Silva é graduado e mestre em Zootecnia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Ele possui Doutorado e Pós-Doutorado na mesma área pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). É pró-reitor de Pós-Graduação, além de professor na Uesb, responsável pelas disciplinas de Graduação e Pós-Graduação. De 2009 a 2011, foi vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Uesb e coordenador entre 2011 e 2014. Foi diretor do Departamento de Ciências Exatas e Naturais entre dezembro de 2014 e maio de 2018.
Candidata a vice-reitora, Francislene Cerqueira de Jesus é Doutora em Educação, pela Universidade Federal da Bahia (Ufba); Mestre em Memória: Linguagem e Sociedade pela Uesb, graduada em Licenciatura Plena em Letras com Habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Possui especialização em Libras: Docência e Interpretação e especialização em e Educação Inclusiva pela Faculdade Santo Agostinho (FACSA).
Chapa 3 – “Uesb cada vez mais forte”: candidato a reitor, Reginaldo Santos é graduado em Pedagogia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), mestre em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e doutor em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Atualmente, é pró-reitor de Graduação, professor do Departamento de Ciências Humanas, Educação e Linguagens e do Mestrado em Educação na Uesb, no campus de Conquista.
Candidata a vice-reitora, Maria de Cássia Passos Brandão Gonçalves é doutora em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Mestra em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Licenciada em Pedagogia pela Faculdade de Educação da Bahia (FEBA). Ela também é Assessora Acadêmica no campus de Jequié e Conselheira do Conselho Estadual de Educação da Bahia (CEE/BA).
*Rebecca Di Pardi é voluntária do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.





[…] majoritariamente por estudantes, com alguns professores e técnicos presentes. Ao contrário do encontro ocorrido na quarta (25), o debate do DCE contou com intérpretes de Libras para garantir a participação de pessoas […]