Rafael de Souza Lima é condenado a 22 anos e 5 meses de prisão pelo feminicídio de Sashira Camilly

Após quase cinco anos do crime, o Tribunal do Júri considerou o réu culpado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver 11 de fevereiro de 2026 Sarah Andrade*

A Justiça condenou, na madrugada desta quarta-feira (11), Rafael de Souza Lima a 22 anos e 5 meses de prisão em regime fechado pelo feminicídio da estudante Sashira Camilly Cunha Silva, de 19 anos. A sessão ocorreu no Fórum Desembargador Filinto Bastos, em Feira de Santana, e durou aproximadamente 19 horas.

Os jurados reconheceram a prática de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Também houve condenação por ocultação de cadáver. A sentença foi proferida pela juíza Márcia Simões.

A acusação foi sustentada pelo promotor de Justiça Victor Matias e pelos advogados assistentes Luciana Silva e Franklin Ribeiro. A defesa do réu havia solicitado a transferência do julgamento de Vitória da Conquista para Feira de Santana, alegando que a imparcialidade do júri poderia ser afetada pela repercussão social do caso. O pedido foi aceito por meio de desaforamento, instrumento previsto no Código Penal.

No Instagram, a advogada Luciana Silva fez uma publicação em seu perfil sobre o resultado do julgamento e destacou a importância da sentença. “Um veredito não muda o passado, mas define qual futuro toleraremos. Não toleraremos que mulheres continuem sendo mortas por serem mulheres”, escreveu a assistente de acusação do caso.

Entenda o caso

Segundo a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), Sashira Camilly desapareceu em 15 de setembro de 2021. O corpo foi localizado posteriormente na zona rural do município de Planalto, a cerca de 50 quilômetros de Vitória da Conquista. De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), o principal acusado, o ex-namorado da vítima, Rafael, marcou um encontro com a jovem e teria planejado o crime com a participação de outros dois homens.

A investigação apontou que a vítima foi dopada, esfaqueada e, em seguida, estrangulada. O corpo foi abandonado após o homicídio. Ainda segundo informações da investigação, Sashira já havia registrado ocorrência por agressão contra o ex-namorado quando era menor de idade e chegou a obter medida protetiva.

O julgamento ocorreu quase cinco anos após o crime, período marcado por etapas processuais e decisões judiciais. O caso mobilizou familiares, movimentos sociais e a população de Conquista, que acompanhavam os desdobramentos desde 2021.

Os outros dois envolvidos no crime ainda serão julgados. Filipe Gusmão responde ao processo em liberdade provisória. Já Marcos Vinicius Botelho está preso.

*Sarah Andrade é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como forma de Transformação Social no combate à Desinformação.

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