Sofrimento mental causado pela pandemia afeta os sonhos, segundo pesquisa

Observar os sonhos pode ser uma forma de identificar, precocemente, prejuízos na saúde mental 30 de novembro de 2020 < Felipe Ribeiro

Uma pesquisa publicada nesta segunda-feira (30/11) na revista Plos One mostrou como a pandemia tem afetado negativamente os sonhos das pessoas. O estudo desenvolvido por uma equipe de 13 pesquisadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe/UFRN) contou com 67 participantes que atuaram antes e durante o período pandêmico.

Para obter os resultados, foi utilizado o aplicativo InterviewerApp, desenvolvido pelos pesquisadores, para coletar e ter acesso aos relatos de memória dos participantes. Além disso, foram utilizadas ferramentas que medem a proporção de palavras emocionais e realiza uma comparação com uma lista montada e validada para calcular a proporção de conteúdo emocional.

Os sonhos de antes e durante a pandemia diferem. No período pandêmico, os sonhos tiveram uma proporção maior de palavras ligadas a sentimentos como raiva e tristeza, além de semelhança a expressões como “limpeza” e “contaminação”. Dessa forma, percebe-se como os sonhos estão ligados ao sofrimento mental, medo de contrair o vírus e mudanças no cotidiano. Isso pode estar associado com o sofrimento mental conectado a isolamento social, já que explicaram 40% da variância na subescala negativa,  relacionado à socialização. Como medida de escala foi utilizada a Panss (Escala de Síndrome Positiva e Negativa), que escalona o quão grave está a esquizofrenia de um paciente.

A pesquisa teve os principais resultados a partir de pessoas que não relataram ter sofrimento mental previamente.  Dessa forma, conclui-se que é fundamental dar atenção aos sonhos, pois pode servir como alerta de prejuízos sendo causados à saúde mental. A psiquiatra, neurocientista e supervisora do estudo, Natalia Mota, disse que os sonhos são importantes para a autocompreensão. “Dessa maneira, percebemos os sonhos como importante espelho desse mundo interno, demonstrando serem importante fonte de auto-conhecimento”, ressaltou.

Fonte: Agência Bori