SUS passa a oferecer teleatendimento psicológico para mulheres vítimas de violência

Inicialmente serão atendidas mulheres de Recife e do Rio de Janeiro. O serviço deve chegar a todo o país em junho 13 de março de 2026 Estela de Assis*

A partir deste mês de março, mulheres vítimas de violência poderão acessar atendimento psicológico via telemedicina no Sistema Único de Saúde (SUS). As capitais Recife e Rio de Janeiro serão as primeiras a oferecer o serviço, que chegará a todos os estados e municípios em junho, segundo o Governo Federal.

Além do atendimento com profissionais da psicologia, a  medida inclui outros serviços, como a reconstrução dentária para as vítimas de agressão. O objetivo da ação é ampliar o cuidado com a saúde das mulheres, combinando psicoterapia virtual, atendimento presencial na rede de saúde e outras políticas públicas de proteção e prevenção da violência.

“É dever do Estado proteger, cuidar e fortalecer as mulheres. Sabemos como a sobrecarga de trabalho e a violência de gênero comprometem fortemente a saúde mental das mulheres. Agora, com esse atendimento oferecido pelo SUS, elas serão acolhidas e ouvidas, estejam onde estiverem”, afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

De acordo com dados do boletim Elas Vivem: a urgência da vida, a cada 24 horas, 12 mulheres foram vítimas de violência em 2025 em nove estados monitorados, incluindo a Bahia. Ao todo, foram registradas 4.558 mulheres vitimadas, representando um aumento de 9,0% em relação ao ano anterior, 2024.

Pacto nacional contra o feminicídio

O teleatendimento para mulheres vítimas de violência integra o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, lançado no mês de fevereiro. A iniciativa é um acordo formal que reúne o Executivo (Presidência da República), Legislativo (Câmara e Senado) e Judiciário (STF) para atuar de forma integrada no enfrentamento ao feminicídio, ampliando cooperação e compartilhamento de informações entre instituições. 

O pacto estabelece ações para prevenção da violência de gênero e promoção de direitos; proteção integral das vítimas com medidas protetivas e rede de apoio; responsabilização efetiva de agressores com articulação entre segurança pública e sistema judiciário; e a criação de um Comitê Interinstitucional de Gestão para monitorar a execução e transparência das ações integradas.

Como parte da estratégia, foi anunciada a plataforma TodosPorTodas.br, que vai reunir informações sobre o pacto, divulgar ações previstas, apresentar canais de denúncia e políticas públicas de proteção às mulheres, além de estimular o engajamento de instituições públicas, empresas privadas e da sociedade civil. 

Tipos de violência

A violência contra a mulher gera impactos graves na saúde mental, resultando em altas taxas de depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, baixa autoestima, insônia e ideação suicida. 

A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) prevê cinco tipos de violência, entre elas física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Além disso, há ainda a violência vicária. Embora não esteja expressamente descrita na legislação, é compreendida como forma de violência psicológica, caracterizada quando o agressor utiliza os filhos para atingir emocionalmente a mulher, provocando sofrimento psicológico. 

Foto de capa: Reprodução

*Estela de Assis é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como forma de Transformação Social no combate à Desinformação.

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