Terreiro do Axé Yanguí comemora nome de rua em homenagem a Mãe Olga do Alaketu

Comunidade celebra a memória cultural do Candomblé no Dia da Consciência Negra com marco importante para Vitória da Conquista 1 de dezembro de 2025 Caetano Argôlo, Giovana Viana, Inara Silva e Victoria Xavier*

Em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, o Terreiro do Axé Yanguí, localizado no bairro Lagoa das Flores, em Vitória da Conquista,  comemorou a renomeação da antiga rua C para Mãe Olga do Alaketu, com atividades festivas e formativas para os membros e frequentadores da Casa de Candomblé. A nomeação da rua foi uma proposta de lei apresentada pelo vereador Alexandre Xandó (PT), aprovada pela Câmara Municipal em 11 de abril. A mudança era uma reivindicação do espaço, onde está a Casa de Candomblé.  

Durante a celebração, houve a realização da exposição da história da linhagem Alaketu e da relevância de Mãe Olga para toda a comunidade do terreiro candomblecista. Ministrada por Leonardo Santana Barreto, Ebomi do terreiro, a exposição trouxe diversas fotografias de lideranças religiosas.

Ao longo de dez minutos, Leonardo narrou a história do primeiro grupo de mulheres responsáveis pela vinda do Candomblé para a Bahia aos presentes. Apresentou, também, as imagens que mostravam a linha geracional das mães e pais de santo regentes ao longo dos anos e a trajetória de vida da Mãe Olga, que dedicou 57 anos à liderança espiritual e à preservação da cultura afro-brasileira. 

Nova placa com nome da rua Mãe Olga do Alaketu

A comemoração contou também com uma oficina de colagem, promovida pela colagista e artista visual Tamires Galvão. A oficina, que ficou ativa durante toda a celebração, reuniu crianças e adultos entusiasmados, que cortavam e colavam trechos de revistas antigas. A atividade teve como propósito levar a arte para a comunidade como forma de conexão e expressão da criatividade.

“Tenho feito oficinas de colagens analógicas para despertar a imaginação das crianças e dos adultos. É uma arte democrática, é super acessível e você consegue fazer com poucos recursos. A nossa intenção é que a comunidade participe com a gente porque entendemos que o terreiro não é nada sozinho”, afirmou Tamires.

Ao longo do dia, os presentes foram servidos com acarajé, comida típica e histórica para a cultura afro-brasileira. Por fim, após toque de tambor, com músicas e danças tradicionais, deu-se início a uma mesa em celebração ao Dia da Consciência Negra e a nomeação da rua. A mesa contou com a presença de mães de santo, Adauto Brito, fundador da casa, do professor Marcello de Ossain e do vereador Xandó.

“Se nós formos pensar quais atividades são feitas aqui em Conquista no dia 20 de novembro… Quantas são feitas? São poucas promovidas pela prefeitura que tenho conhecimento” criticou Xandó.

Terreiro Axé Yanguí 

Fundado em agosto de 2017 por Adauto Brito, Axé Yangui é o primeiro terreiro de linhagem Opo Afonjá em Vitória da Conquista e o primeiro do bairro Lagoa das Flores. Além de ser um espaço religioso, o terreiro também contribui com um papel ambiental. O Otun Babá Kekerê Marcello de Ossain cultiva uma floresta na localidade, com mais de 1000 espécies de árvores diferentes.

A reivindicação da troca do nome da rua teve como intuito a preservação da memória da tradição religiosa em Conquista e a devolução de um bom convívio para com a comunidade, cultivado ao longo dos anos.

“Mãe Olga é um símbolo de resistência, alguém a se seguir. Um exemplo pra gente”, afirma a jovem Aylane Rocha, Equede do terreiro, reconhecendo a importância da nomeação para a comunidade.

*Caetano Argôlo, Giovana Viana, Inara Silva e Victoria Xavier são estudantes do sexto semestre do curso de Jornalismo da Uesb – Disciplina Jornalismo na Internet I.

Uma resposta para “Terreiro do Axé Yanguí comemora nome de rua em homenagem a Mãe Olga do Alaketu”

  1. Marcello Moreira disse:

    Caetano, gostei imenso da matéria! Parabéns! Parabenizo também os outros jornalistas que prepararam a matéria.

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