TSE nega pedido de Flávio Bolsonaro para barrar apoio de estudantes a Lula

O ministro deu um prazo de 72 horas para que o candidato detalhe as acusações feitas contra dirigentes sindicais e lideranças de movimentos sociais 16 de outubro de 2026 < *Lázaro Oliveira

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, rejeitou os pedidos do candidato Flávio Bolsonaro (PL) de restringir as manifestações de sindicatos e movimentos estudantis em apoio à reeleição do presidente Lula (PT). O ministro deu um prazo de 72 horas para que Flávio detalhe as acusações feitas contra dirigentes sindicais e lideranças de movimentos. 

A ação judicial foi apresentada por Flávio contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e 54 dirigentes sindicais. O senador alega que as estruturas dos movimentos sociais e sindicatos estariam sendo utilizadas em benefício da candidatura de Lula, em um uso que configura abuso de poder político e econômico. A campanha também acusou o grupo de uso indevido dos meios de comunicação. 

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges dos Santos, e a presidente da União da Juventude Socialista, Rafaela Elisiario, foram citadas diretamente na ação. Em nota oficial, a UNE classificou a atitude de Flávio como uma tentativa de intimidar o movimento estudantil.

Ao analisar o pedido, o ministro Villas Bôas Cueva compreendeu que as alegações são muito abrangentes e poderiam atingir direitos constitucionais, como as liberdades de expressão, associação e organização sindical. Além disso, o corregedor-geral estabeleceu que a campanha de Flávio deverá especificar as condutas atribuídas individualmente aos acusados. 

Apesar de rejeitar a maior parte das solicitações do senador do PL, Cueva autorizou a continuidade das ações contra Lula, Alckmin e cinco dirigentes sindicais cujas ações foram individualizadas na denúncia. 

Segundo apuração do Congresso em Foco, entre os acusados estão representantes do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR) e do Sintect-RJ. O ministro deu um prazo de cinco dias para apresentação da defesa dos acusados.

O pedido de Flávio para que a União Nacional dos Estudantes  orientasse entidades estudantis a não utilizar espaços de universidades públicas para distribuir materiais eleitorais foi rejeitado pelo ministro. Já o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Rio de Janeiro (Sintect-RJ) terá que esclarecer, em até 24 horas, o funcionamento de um comitê de apoio à reeleição de Lula anunciado em agosto.

Segundo turno 

Os brasileiros retornam às urnas no dia 25 de outubro, após a primeira etapa da votação no dia 4 de outubro. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) terminou a apuração em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, o equivalente a 56.103.033 votos. O atual presidente Lula (PT) ficou em segundo, com 45,16%, ou 53.870.724 votos. 

No segundo turno, os eleitores baianos poderão utilizar o transporte intermunicipal gratuitamente em todo o estado. A medida, oficializada por meio do decreto nº 24.879/2026, publicado no dia 10 de outubro no Diário Oficial do Estado, amplia os dias de gratuidade em relação ao primeiro turno.

No primeiro turno, mais de 33,4 milhões de eleitores deixaram de ir às urnas, segundo o TSE. O índice representa uma abstenção de 21,08%, a maior registrada desde 1998, quando o percentual foi 21,5%. Em Conquista, a abstenção chegou a 18,57% entre as 216.286 pessoas que compareceram aos locais de votação.

Na Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) venceu a disputa para o cargo de governador do estado com 4.626.509 votos, percentual de 55,80%. Após ser reeleito, o candidato tem mais quatro anos de mandato. Ele derrotou o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil).

Foto de capa: Fernando Frazão/Agência Brasil

*Lázaro Oliveira é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como forma de Transformação Social no combate à Desinformação.