Uesb cria comissão para o cuidado e manejo de animais comunitários nos três campi
O grupo, instituído pela Portaria nº 422, de 15 de julho, será responsável por estabelecer as diretrizes da Política Institucional de Cuidados e Combate aos Maus-Tratos aos Animais 21 de julho de 2026 < Estela de Assis*A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) instituiu, por meio da Portaria n° 422, no dia 15 de julho, uma Comissão Permanente para o Manejo Ético dos Animais Comunitários. O grupo será responsável por estabelecer as diretrizes da Política Institucional de Cuidados e Combate aos Maus-Tratos aos Animais dos campi da universidade, em Vitória da Conquista, Itapetinga e Jequié.
A criação da comissão, composta por 12 membros, atende a uma reivindicação antiga de grupos de proteção animal que atuam voluntariamente na Uesb com o cuidado de cães e gatos comunitários. “Esse é um passo importante para o nosso trabalho ser reconhecido, valorizado e apoiado pela instituição”, afirma a professora do curso de Matemática e integrante do grupo Amigo Pet, Roberta Bortoloti.
A docente é uma das representantes do campus de Conquista na comissão. De acordo com Roberta, o grupo irá criar protocolos para lidar com o abandono de animais nos campi. “O intuito é identificar a pessoa responsável pelo animal, informar a população que se trata de um crime previsto por lei sujeito a multa e reclusão, a depender do caso, e fortalecer a comunidade interna quanto aos cuidados”, complementa.
A primeira reunião da comissão está marcada para o dia 29 de julho. Também integram o grupo os prefeitos dos três campi, Adriano Calixto Borges (Conquista), Emily Alves Cruz Moy (Jequié) e Ana Paula Gomes da Silva (Itapetinga); e dois representantes da reitoria, Cláudia Coelho Santos, lotada no Laboratório de Ecologia, em Jequié, e Márcio dos Santos Pedreira, da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PROPPI).
Além disso, compõem a comissão dois docentes de cada campus: Roberta D’angela Menduni Bortoloti (Conquista); Karine Santana Carvalho (Conquista); Carla Patrícia Novais Luz (Jequié); Carlos María Perez (Jequié); Sônia Martins Teodoro (Itapetinga); Alexilda Oliveira de Souza (Itapetinga); e a representante da Pró-Reitoria de Administração (Proad), Gloria Fernanda Melendez Bastos Meira.
Histórico de criação da comissão
Em junho de 2024, a professora Roberta Bortoloti instalou um outdoor na entrada do campus de Conquista cobrando a implementação da comissão de manejo dos animais comunitários. Ela tomou a medida após esperar mais de 300 dias por uma resposta da então gestão da Uesb, sob a responsabilidade do reitor Luiz Otávio Magalhães.
À época, a docente havia protocolado uma solicitação no Sistema Sei Bahia. Em entrevista ao Avoador, ela relatou esperar há quase um ano por uma resposta da reitoria. “Muitas vezes, a gente tentou estabelecer o diálogo, batendo na porta da reitoria, batendo na porta da Proad, batendo na porta da Prefeitura de Campus. Algumas vezes fomos atendidos e muitas outras nós não fomos”, disse Roberta na ocasião.
Dois anos depois, sob gestão do atual reitor Robério Rodrigues, a reivindicação foi atendida. Atualmente, o campus de Conquista possui 22 cães comunitários, segundo a professora. Junto a outros voluntários do grupo Amigo Pet, ela atua com o cuidado desses animais, oferecendo tratamento para doenças, alimentação com a ajuda de doações e prezando pela adoção responsável destes animais.
A criação da Comissão, segue dando continuidade à Política Institucional de Cuidados e Maus-Tratos aos Animais Comunitários, instituída pela Uesb através da resolução 01/2026. A norma estabelece diretrizes para a proteção dos animais comunitários, dos campi da Uesb, onde é garantido os direitos dos animais comunitários e a convivência com o público acadêmico.
Hoje, o principal objetivo é garantir que estes animais sejam adotados de maneira responsável. De acordo com Roberta, em 2025, 24 animais foram adotados e em 2026, foram feitas apenas 9 adoções. “A adoção responsável é nossa meta, pois viver no campus não é uma maravilha como tantos pensam. Apesar da vida livre, estão sujeitos a atropelamentos, a maus-tratos e outras situações que seriam evitadas ou amenizadas se estivessem em uma casa que os recebessem com amor e carinho. Além disso, temos nossos animais já idosos e quando chegam nesse momento da vida, precisam de mais cuidados e atenção”, explica.
“O cuidado perpassa em entender quem é esse animal, se foi abandonado, ou está perdido. Procuramos o responsável. Em paralelo, oferecemos os cuidados básicos, comida, tratamento contra pulga, carrapato, vermifugação, castração e um pouco de segurança”, destaca a professora. Desde 2013, o trabalho é realizado voluntariamente por docentes, discentes e funcionários da Uesb.
A partir da criação da Comissão para o Manejo Ético, Roberta espera que as ações possam ser ampliadas com o apoio da universidade. “É uma conquista porque o trabalho que fazemos voluntariamente é um trabalho que só com políticas públicas poderia ser feito.”
Foto: Amigopet.vca
*Estela de Assis é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como forma de Transformação Social no combate à Desinformação.