Uesb homenageia Nêga Pataxó em evento no campus de Itapetinga

No dia 19 de setembro, a atividade vai celebrar a memória da líder indígena, que foi morta a tiros no ano de 2024, na Fazenda Inhuma, no Sul da Bahia 12 de setembro de 2025 Rebecca Di Pardi*

No dia 19 de setembro, a partir das 13h, acontece um evento em homenagem aos povos originários do Médio Sudoeste da Bahia, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), no campus de Itapetinga. A ação, que irá celebrar a memória da liderança Nêga Pataxó, é promovida pelo Núcleo de Permacultura Sete Cascas e pelo Coletivo Docente Agroecológico da Associação dos Docentes da Uesb (Adusb).

Professora e liderança indígena, Maria de Fátima Muniz, conhecida como Nêga Pataxó, era pajé do povo Pataxó Hã Hã Hãe. No ano de 2024, foi morta a tiros durante um ataque de fazendeiros na Fazenda Inhuma, na região de Potiraguá, no sul da Bahia.

Durante o evento, será feita a entrega simbólica de um mural com a imagem de Nêga pintada pelo artista visual Nycolas Robert. A abertura contará com uma apresentação de Slam do estudante de Pedagogia Brendo Souza, artista de Hip Hop. Às 13h30, acontece a roda de conversa “Arte, educação, povos indígenas e a luta pela vida”.

Segundo a professora do departamento de Ciências Exatas e Naturais da Uesb, Letícia Magalhães Fernandes, o objetivo da ação é promover uma reflexão sobre a resistência dos povos originários. Homenagear Nêga significa resgatar o valor da vida, principalmente das mulheres e das crianças, que são quem sustenta a vida nos territórios indígenas. Sua pintura estará lá para lembrarmos de nossas raízes e ancestralidade”, disse.

Letícia contou ainda que esteve em uma das aldeias do povo Pataxó Hã Hã Hãe logo após o ataque dos fazendeiros e ouviu sobreviventes. “Eu não a conheci pessoalmente, mas depois fui me aproximando mais do seu histórico, das narrativas, da sua família, dos seus amigos. E ela é reconhecida como uma grande cuidadora da sua comunidade, do seu território e da espiritualidade.”

A homenagem acontecerá às 15h30, na área externa da biblioteca central, com a presença de lideranças indígenas, educadores, familiares e amigos de Nêga Pataxó. A atividade é totalmente gratuita e aberta à comunidade em geral.

Disputa de terras

No dia 20 de janeiro de 2024, os Pataxó Hã Hã Hãe ocuparam a Fazenda Inhuma por a reconhecerem como área de herança cultural do seu povo. No dia seguinte (21), fazendeiros e comerciantes cercaram o local com dezenas de caminhonetes para tentar retomar a propriedade à força, sem uma ordem judicial. O ataque também deixou feridos o cacique Nailton, o cacique Aritanan e outros parentes de Nêga Pataxó.

O filho de um fazendeiro, de 20 anos, e um policial militar reformado foram presos em flagrante. Um laudo da Polícia Civil de Itapetinga, que investigou o caso, confirmou que o tiro que matou Nega Pataxó partiu de um revólver calibre 38, disparado pelo jovem.

*Rebecca Di Pardi é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como forma de Transformação Social no Combate à Desinformação.   

Foto de capa: Reprodução

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