Violência contra a mulher é tema de debate na disciplina de Jornalismo Policial

A palestra, organizada pelo professor Dannilo Duarte Oliveira, contou com a participação da delegada de polícia Gabriela Garrido 14 de maio de 2025 Rian Borges

Foi realizada na última terça-feira (13/05), no Auditório do Júri da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), a palestra Violência Contra a Mulher e o Jornalismo Policial. A palestrante convidada foi a delegada de polícia, Gabriela Garrido. 

O evento, que faz parte das atividades da disciplina de Jornalismo Policial, foi organizado pelo professor responsável, Dannilo Duarte Oliveira. Segundo ele, a discussão sobre a violência contra a mulher no ambiente universitário é fundamental para os futuros jornalistas.

“A cobertura desse tipo de pauta deve partir do princípio de que se trata de um problema social grave, que envolve as mulheres, e a cobertura deve primar pelo respeito as vítimas. Deve trazer uma cobertura que não seja sensacionalista e que apresente dados relevantes sobre a violência contra a mulher e promova o combate ao machismo e a violência de gênero, em especial, a violência contra a mulher”, explicou o professor.

Durante a palestra, a delegada enfatizou o quanto essa discussão é vital para entender como a atuação da imprensa impacta na forma como a sociedade recebe notícias relacionadas à violência contra a mulher. “A forma com que os casos são abordados cria a impressão que a sociedade tem sobre aquele fato, então é importante o cuidado em não macular a vítima, em não tentar culpabilizar a vítima, mesmo que de forma indireta, e não dar um destaque ou uma desculpa para o autor”, disse.

Para a delegada, a formação dessa cultura pode ser transformada. “A gente consegue aos poucos, ir educando e, pelo menos, contribuindo para uma mudança nessa cultura machista que a gente tem na nossa sociedade.”   

A palestra, que começou às 9h, foi até 11h. Participaram do evento cerca de 40 estudantes do primeiro, terceiro e sétimo semestres do curso de Jornalismo. 

Ligue 190

As mulheres em situação de violência podem ligar para o número 180, que é dispositivo central na estratégia de enfrentamento da violência contra a mulher no país. Da Bahia, em 2024, a Central registrou 5.777 denúncias — um aumento de 27,33% em relação ao mesmo período do ano passado.

Entre as denúncias realizadas, 3.876 foram apresentadas pela própria vítima, enquanto em 1.894 o denunciante foi uma terceira pessoa. A casa da vítima ainda é o cenário onde mais situações de violência são registradas. Na Bahia, 2.789 denúncias tinham este contexto.

O maior número de denúncias está relacionado à violência contra mulheres entre 40 a 44 anos (997). São as mulheres negras as vítimas mais frequentes nas denúncias (4.334 são pretas ou pardas) e são os seus esposos e companheiros (ou ex-companheiros) aqueles que mais cometem atos violentos (2.204).

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