Vitória da Conquista cresce, mas sem cuidar das ruas esburacadas
O fluxo de veículos e de pessoas aumentou, mas a cidade parece ter parado no tempo quando o assunto é infraestrutura viária 11 de agosto de 2025 Yasmin Sodré*Ruas esburacadas, asfalto remendado e vias públicas que mais parecem campos de batalha. Esse é o retrato de Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia. O abandono da malha viária não é apenas um incômodo estético. Trata-se de um reflexo direto da negligência da Prefeitura, sobretudo da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana, que desrespeita a população. Ao sair de casa, seja para trabalhar, estudar ou em busca de lazer, o trânisto pelas vias causa estresse diariamente.
Em meio aos buracos e crateras, Vitória da Conquista cresceu. Segundo o Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran), houve um aumento de 2,44% na frota de motocicletas em comparação a 2024. A população também vem aumentando. São mais de 370 mil pessoas, de acordo com o Censo IBGE 2022. O fluxo de veículos e de pessoas aumentou, mas a cidade parece ter parado no tempo quando o assunto é infraestrutura viária, ou melhor, foi deixada de lado. Como moradora, é impossível não notar o contraste entre o crescimento do trânsito e o abandono de pontos essenciais. No Centro, dois buracos na Avenida Lauro de Freitas chamam atenção há meses. Passo por ali com frequência e, a cada vez, me pergunto quanto tempo mais vamos conviver com esse descaso.
Não se trata apenas de estética. É uma questão de segurança, mobilidade e respeito com quem circula pela cidade todos os dias. Antes fossem só os buracos, mas vai além disso. Na terceira maior cidade da Bahia, ainda existem ruas sem calçamento. A realidade está sob nossos pés: buracos se multiplicando, trechos intransitáveis e prejuízos constantes para motoristas e pedestres. O problema é antigo, mas a indiferença do governo municipal permanece atualíssima.
Segundo a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025, aprovada pela Câmara Municipal, Vitória da Conquista tem receita total superior a R$ 1,88 bilhão. Ainda assim, a gestão municipal, sob o comando da prefeita Sheila Lemos (União Brasil), tem falhado em priorizar a pavimentação urbana.
Uma cidade não se sustenta sem ruas em bom estado. O transporte coletivo sofre atrasos, ciclistas e pedestres enfrentam riscos constantes. Quantos acidentes poderiam ser evitados se a cada dois metros não existesse um buraco? Segundo a Secretária de Mobilidade Urbana (Semob), de janeiro a novembro de 2024, foram registrados 1.722 acidentes com motocicletas. Nos primeiros meses de 2025, o SAMU contabilizou alta de 17,25% nos casos. Além de tudo isso, há o prejuízo econômico para os moradores: pneus estourados, suspensões quebradas, acidentes provocados por desníveis. A cidade perde em mobilidade, segurança e desenvolvimento.
Para não dizer que não há nada sendo feito, existem de fato equipes da Emurc (Empresa Municipal de Urbanização) em áreas da cidade. Mas é preciso dizer que são soluções paliativas, a exemplo da Operação Tapa Buracos. A maioria dessas intervenções mal dura uma estação de chuvas. É como enxugar gelo.
Se o asfalto fosse uma cortesia, talvez a crítica fosse exagerada. Mas estamos falando de um serviço público que é sustentado por impostos que saem do bolso do cidadão todos os dias. Exigir vias decentes não é um favor, é um direito. Enquanto se remenda a rua, remenda-se também a confiança da população.
*Yasmin Sodré é estudante do curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e também estagiária da Rádio Clube FM, em Vitória da Conquista.
Foto de capa: Secom/PMVC