Projeto “T.O. na Bahia” realiza formação gratuita em Teatro do Oprimido em Conquista

Os municípios de Jequié, Seabra, Macaúbas e Salvador também receberão a iniciativa, entre julho e setembro, com aulas teóricas e presenciais 16 de julho de 2026 < Malu Castro*

Entre julho e setembro, Vitória da Conquista, Jequié, Seabra, Macaúbas e Salvador receberão o projeto “T.O. na Bahia – Curso de Formação de Facilitadores de Teatro do Oprimido”. A iniciativa reúne aulas teóricas online, entre os dias 20 e 24 de julho, das 19h às 22h, e oficinas presenciais nos cinco municípios. 

O projeto busca formar facilitadores capazes de desenvolver ações em seus próprios territórios, ampliar o acesso ao Teatro do Oprimido e fortalecer redes de cultura, educação popular e participação social em diferentes regiões da Bahia. As vagas para Salvador e Seabra estão esgotadas, mas ainda podem se inscrever moradores de Conquista, Jequié e Macaúbas. As inscrições são gratuitas e estão abertas até esta sexta-feira, 17 de julho, por meio de formulário online.

As formações são voltadas a artistas, educadores populares, estudantes, lideranças comunitárias, integrantes de movimentos sociais e demais pessoas interessadas em conhecer os fundamentos do Teatro do Oprimido, metodologia sistematizada pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal. A ação é realizada pelo Grupo de Teatro do Oprimido (GESTO) e pelo Centro de Teatro do Oprimido da Bahia (CTO-BA), com apoio da Rede Baiana de Teatro do Oprimido (RBTO).

“Nosso objetivo é criar grupos de TO em toda a Bahia e fortalecer a rede por meio da conexão online e de encontros, festivais e intercâmbios. A inspiração são os 40 anos do ensino de Teatro do Oprimido, completados em 2026”, explica o professor e coordenador pedagógico do projeto, Licko Turle.

O coordenador destaca ainda o papel da metodologia como ferramenta de transformação social. “O TO é utilizado na educação, na saúde e em ações de enfrentamento ao racismo, ao feminicídio e à homofobia. A diferença dessa metodologia é que todo o processo de criação parte do conteúdo que as pessoas já possuem”, complementa.

O programa é financiado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), com recursos do Ministério da Cultura. Nesta primeira edição, a programação inclui encontros virtuais para estudo e diálogo sobre a história e as principais técnicas do Teatro do Oprimido. A formação será complementada com oficinas presenciais em cada município participante. 

Em Salvador, os encontros serão realizados nos dias 18, 19, 25 e 26 de julho. Em Jequié, de 13 a 15 de agosto. As datas de Vitória da Conquista, Macaúbas e Seabra ainda não foram divulgadas. 

Teatro do Oprimido

Criado pelo dramaturgo Augusto Boal, o Teatro do Oprimido busca transformar o espectador em participante ativo da cena, utilizando o teatro como instrumento de reflexão e transformação social.

Influenciado pelo Teatro Épico de Bertolt Brecht e em diálogo com a pedagogia crítica de Paulo Freire, Boal desenvolveu técnicas artísticas e políticas para estimular o público à transformação durante a ditadura militar brasileira. 

O método, criado em 1970, parte do pressuposto de que todos os indivíduos podem criar e dialogar, e de que o teatro é a linguagem humana utilizada por todas as pessoas no cotidiano. Dessa forma, o Teatro do Oprimido cria condições práticas para que o oprimido se aproprie dos meios de produção teatral e amplie suas possibilidades de expressão.

Foto de capa: T.O. na Bahia

*Malu Castro é voluntária do Programa de Extensão Jornalismo como Forma de Transformação Social no Combate à Desinformação