Vitória da Conquista terá programação do Julho das Pretas

Desde 2013, o mês de julho é dedicado à luta das mulheres negras por direitos e contra o racismo e o sexismo em todo o Brasil 24 de julho de 2026 < Lázaro Oliveira*

Desde 2013, o mês de julho é dedicado à luta das mulheres negras por direitos e contra o racismo e o sexismo. Idealizado pelo Instituto Odara, de Salvador, o movimento Julho das Pretas reúne ações culturais e políticas em todo o país e, em Vitória da Conquista, serão realizadas atividades no Centro, na Uesb e no Museu Henriqueta Prates. 

Neste sábado, 25 de julho, das 9h às 13h, o Movimento Negro Unificado (MNU) realizará um encontro na Praça Nove de Novembro. A programação inclui o sarau de poesias “Feminismo Negro em Movimento”, oficina de turbante e uma roda de conversa com o tema “Feminismo Negro e a Construção de Novos Horizontes”. 

Ao longo de todo o evento, será distribuído um material informativo sobre o combate ao racismo, enfrentamento à violência contra a mulher negra e a rede de acolhimento. Também haverá um espaço para fotografias.     

Já na quarta-feira, 29 de julho, o programa Aquilombar – Cultura e Educação pela Justiça Racial, da Uesb, promoverá um evento no Museu Regional Henriqueta Prates, das 14h às 16h30. Serão realizadas oficinas lideradas por mulheres nas áreas de capoeira, literatura e ervaria. 

Das 14h às 14h30, acontecerá a abertura com os monitores do programa Aquilombar e, das 14h35 às 15h10, ocorre o momento de literatura com a escritora e intérprete de Libras, Duda Nazaré. 

A partir das 15h15, a bioquímica, técnica em agroindústria e pesquisadora na área de etnofarmacologia de plantas medicinais, Camila Mendes, ministra a oficina de ervaria. A capoeirista Juliana Sousa encerra a programação do dia. A entrada é gratuita e não é necessário realizar inscrição prévia para participar do encontro.   

No último dia do Julho das Pretas, 31, a Associação dos Docentes da Uesb (Adusb) realizará uma mesa-redonda intitulada “Mulheres Negras e o Mundo do Trabalho”, às 15h30. O evento será no auditório da seção sindical, no campus de Vitória da Conquista.  

A ação visa promover debates sobre os desafios e a precarização do trabalho, incluindo a luta pelo fim da escala 6×1, considerando a interseção entre raça, gênero e classe. 

Para compor a mesa, foram convidadas a antropóloga formada pela Universidade de Brasília (UnB) e doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Ranna Mirthes Sousa Correa, e a presidente do MNU de Conquista, Letícia Figueredo. A mediação será da diretora da Adusb e professora do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Uesb, Émili Conceição. 

Julho das Pretas

O Julho das Pretas foi criado em 2013 pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, sediado em Salvador. A entidade iniciou o movimento com o objetivo de ampliar a luta pelos direitos das mulheres negras no mês de julho, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. 

Em 1992, essa data foi definida durante o primeiro Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas na República Dominicana. Além de dar visibilidade à luta histórica contra o racismo e o machismo, o Marco celebra a contribuição social, cultural e política das mulheres afrodescendentes.

No Brasil, em 2014, a data foi  reconhecida como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, por meio da Lei 12.987/2014.  A homenageada, Tereza de Benguela, foi uma líder quilombola do século XVIII, que comandou o Quilombo do Quariterê e liderou uma das maiores resistências contra a escravidão. 

Foto de capa: Pexels

*Lázaro Oliveira é bolsista do Programa de Extensão Jornalismo como forma de Transformação Social no combate à Desinformação.