Abraji e Farol lançam anuário sobre as perspectivas do jornalismo em 2021

São nove pesquisadores e jornalistas que trazem reflexões sobre o futuro do jornalismo atual 16 de dezembro de 2020 Denilson Soares

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em parceria com a Farol, lançou no dia (15/12) o anuário ” O Jornalismo no Brasil em 2021″. Com as reflexões de nove jornalistas e pesquisadores brasileiros, que discutem o papel do jornalismo em 2020 e lançam possíveis futuros perspectivas para 2021, apostando na necessidade de uma imprensa mais combativa, plural e antirracista, que reafirme seu papel como pilar da democracia, em um país atravessado pelo racismo estrutural.

Cada pesquisador e jornalista enriqueceu o anuário a partir de um tema específico. Na perspectiva de Débora Prado, da entidade em defesa da liberdade de expressão Artigo 19, o jornalismo acaba por tensionar ideias sobre o cunho ético da profissão, ao assumir um lado, ainda que seja o da defesa da ciência e dos direitos humanos.

Pedro Borges, fundador do site Alma Preta, sublinha a importância do jornalismo local, periférico e negro na contínua construção da credibilidade do jornalismo junto ao seu público.

A professora e pesquisadora Cleidiana Ramos identifica a emergência de discursos antirracistas também nas redes sociais. Ela recorda da pressão que desencadeou a mudança do quadro de apresentadores do programa Em Pauta, da GloboNews. Essa discussão é ampliada por Caê Vasconcellos, do site Ponte Jornalismo. De acordo com o jornalista, “vivemos em uma sociedade construída em cima do sexismo, da LGBTfobia e do racismo”.

Outra discussão fundamental, em um mercado digital dominado pelas Big Techs, é como veículos e coletivos independentes podem atingir a sustentabilidade financeira. O fundador da Novelo Data, Guilherme Felitti, afirma que cabe ao jornalismo encontrar um equilíbrio capaz de manter a independência necessária para sua afirmação.

Maria José Braga presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) discute o home office como um processo de precarização da profissão. “Para que se mantenha e se intensifique a revalorização do jornalismo pelo público, ocorrida durante a pandemia, e para garantir a qualidade do jornalismo em 2021, é preciso valorizar o profissional jornalista”, disse. E ao final, para Guilherme Valadares, diretor de pesquisa no Instituto de Pesquisa & Desenvolvimento em Florescimento Humano e fundador do site Papo de Homem, o bem-estar psíquico dos profissionais de imprensa deverá estar no centro da pauta. “Jornalistas exaustos, deprimidos, ansiosos, sobrecarregados e insones narram um mundo atravessado por essa paisagem emocional”, pontuou.

 

Fonte: Abraji

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