Jornalistas e comunicadores criam Rede de Proteção para denunciar ataques à liberdade de expressão

A organização consiste em uma plataforma para o recebimento e encaminhamento das denúncias de violações e violências contra a imprensa 24 de setembro de 2021 Helena Assis

Criada em agosto de 2021, a Rede de Proteção de Jornalistas e Comunicadores surge em meio a um ambiente pouco favorável à imprensa no Brasil, para defender a liberdade de expressão e apoiar os profissionais que sofreram ameaças e ataques na realização de seu ofício. Entre os organizadores estão o Instituto Vladimir Herzog, jornalistas, comunicadores, entidades representativas e coletivos de mídia.

De acordo com o coordenador de Jornalismo e Liberdade de Expressão do Instituto Vladimir Herzog, Giuliano Galli, a ideia da rede partiu de jornalistas alvos dos ataques e consiste em uma plataforma para o recebimento e encaminhamento das denúncias de violações. A nova organização também está engajada na luta contra a violência física que os profissionais da imprensa sofrem e contra a crescente desinformação no país.

A Rede de Proteção tem como base o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que define a liberdade de expressão como a livre emissão de opiniões, de acesso e transmissão de informações e ideias, por qualquer meio de comunicação, sem a interferência ou censura por parte do governo. Contudo, no Brasil a situação é bem diferente, especialmente no governo do presidente Jair Bolsonaro, em que a cada dia se torna mais difícil o livre exercício da profissão.

Segundo uma pesquisa realizada pela ONG Repórteres Sem Fronteiras, somente no primeiro semestre deste ano o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos promoveram 331 ataques à imprensa. O presidente atacou sozinho 87 vezes os profissionais da imprensa, 74% mais ataques em relação ao primeiro semestre de 2020. Assim, o Brasil é classificado pelo Repórteres Sem Fronteiras como um “país particularmente violento para a imprensa”.

Galli disse ainda, em entrevista à Ponte Jornalismo, que a Rede irá dar apoio jurídico e psicológico aos denunciantes, promover encontros, oficinas e cursos para jornalistas sobre temas ligados aos direitos humanos e trabalhar em prol de políticas públicas em defesa de jornalistas e de comunicadores.

Fonte: Ponte e Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

 

 

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