Novo site do Avoador é apresentado à comunidade

Debate sobre “noticias” falsas nas Eleições 2018 e homenagem a professor fundador do curso marcaram o lançamento   26 de julho de 2018

A noite da última sexta-feira, 20, foi marcada pelo lançamento do novo site do Avoador, produto laboratorial do curso de Jornalismo da Uesb. O evento contou com uma mesa de debate sobre “notícias” falsas, um problema que tem despertado diversas discussões no país. Sob mediação da professora Carmen Carvalho, editora executiva do site, Diego Maier Iraheta, editor-chefe do HuffPost Brasil, e Paulo Rebêlo, empresário da agência Paradox Zero, abordaram como e por que a disseminação de conteúdo mentiroso e duvidoso tem crescido nos últimos anos na internet.

Palestrantes discutem sobre fakenews. Foto: Avoador.

Para Carmen, em meio à celebração do novo Avoador, era preciso oferecer ao público leitor do site e demais interessados uma discussão pertinente e atual. “Estamos às vésperas das eleições e já estamos vivenciando um tsunami de informações falsas nas redes sociais. São essas informações mentirosas e os boatos que podem conduzir à definição dos votos nas eleições. Por conta disso, é preciso distinguir o joio do trigo, ou seja, saber identificar esse tipo de “notícia” que vem sendo propagada por grupos com interesses políticos, comerciais e até por cidadãos comuns”, comentou a professora.

Diego Maier Iraheta ressaltou, durante o evento, que somente o conhecimento sobre o que são as “notícias” falsas poderá barrar a sua disseminação e o seu poder sobre a sociedade. “Para isso, é preciso saber distinguir o que é falso e o que é verdadeiro, evitando assim o compartilhamento de informações mentirosas”. Além disso, ele destacou o quanto o Facebook e o Whatsapp têm contribuído para esse cenário e como o jornalismo sério e comprometido com a veracidade dos acontecimentos pode contribuir para o esclarecimento do público.

Já Paulo Rebêlo, não só tratou da problemática do debate, mas explicou como as próprias redes sociais têm se beneficiado economicamente dessas. “Política é guerra e quando passar esse período eleitoral as notícias falsas não vão sumir, vão continuar para outros assuntos em relação à saúde e gestão pública. Então, eu acho que a gente tem que estar atento o tempo todo, independente do período eleitoral”, disse.

Avoador

Criado em abril de 2016, o Avoador possibilita aos estudantes de Jornalismo vivenciarem a prática profissional durante a disciplina Jornalismo Digital. Sua proposta editorial é um contraponto ao jornalismo diário existente hoje na cidade de Vitória da Conquista, que prioriza a notícia curta e a apuração limitada. O nome Avoador é uma homenagem ao biscoito de polvilho famoso na cidade, uma forma de enaltecer e valorizar a cultura local.

Para Carmen Carvalho, o Avoador é um veículo para exercer o bom jornalismo no município.  “E o bom jornalismo é aquele feito com responsabilidade social e comprometimento profissional. Ao seguir esses princípios norteadores, é possível oferecer ao público um conteúdo que o ajude a refletir sobre a realidade, compreender os porquês dos acontecimentos, perceber os interesses políticos e particulares por trás dos fatos e também a agir para mudar a sociedade”. Dessa forma, a professora destaca que o Avoador “não é apenas um produto laboratorial da disciplina Jornalismo Digital, é também uma maneira da universidade pública e gratuita dar um retorno à sociedade por meio de um jornalismo com profundidade que oferece ao público condições de compreender os porquês dos acontecimentos”.

O discente do sétimo semestre, Afonso Ribas, que faz parte da equipe do site, acredita que a experiência com o Avoador tem sido riquíssima enquanto lugar onde se tem a oportunidade de praticar, reconhecer e aplicar as técnicas do jornalismo vistas na teoria no cotidiano de formação. “Durante todo o nosso percurso formativo, a gente tem a oportunidade de vivenciar a prática do jornalismo aliada a teoria, e o Avoador, em si, nos tira da zona de conforto, por trabalhar com uma espécie de jornalismo que exige muito da gente, o digital”.

E se Avoador oferece a prática aos discentes na reta final do curso de jornalismo, imagine só a expectativa para aqueles que acabaram de ingressar na universidade. Esse é o caso da Luana Oliveira de Carvalho, que ingressou há menos de um mês na graduação e já se mostra empolgada com o que vem pela frente. “Eu mal posso esperar, vai ser uma ótima experiência aprender o jornalismo na prática. Nada melhor para nós, futuros jornalistas, do que participar da produção de um site informativo derivado do nosso curso, pois ganharemos maturidade na forma de escrever e também experiência para entrar no mercado de trabalho”, afirma.

Discentes explicam as novidades do site. Foto: Avoador.

No dia do lançamento, a nova organização do site, bem como suas novidades em conteúdo, foram apresentados por três alunas que fazem parte da equipe do Avoador: Karina Costa, Bárbara Francine e Caren Gabriele. “Temos agora um site mais dinâmico. O espaço para comentários, por exemplo, é uma novidade que nos permite uma maior interação com as pessoas que acessam o nosso conteúdo”, explicou Karina. Além dessa novidade, o novo site conta ainda com mais três novas editorias: Jornalismo Importa, que buscará abordar temas atuais sobre o jornalismo; Multimídia, que vai apresentar conteúdo em vídeo, podcasts e infográficos; além de Xereta, um espaço para checagem de informações duvidosas compartilhadas nas redes sociais, especialmente no WhatsApp.                             

Homenagem

Professor José Duarte recebe homenagem da equipe do Avoador. Foto: Avoador.

O lançamento do site contou ainda com uma singela homenagem ao professor fundador do curso, José Duarte, que destacou os obstáculos que precisam ser ultrapassados no sentido de integrar a graduação com as outras universidades da cidade. Ele também destacou a importância do Avoador enquanto meio fundamental para o processo formativo discente: “O Avoador funciona assim como as outras oficinas, como um laboratório, e ele tem uma inserção no mundo digital intensa com uma linguagem de narrativa mais densa. São reportagens de tirar o fôlego em que as pessoas têm que se dispor a parar para ler. Então, essa busca de uma narratividade que a professora Carmen está conduzindo rende benefícios pela prática e pela profissionalização”, concluiu.