Mais de 90 alunos da Ufba denunciam intoxicação alimentar em Conquista
O restaurante terceirizado foi interditado pela Vigilância Sanitária na manhã desta quarta, 6. De acordo com os estudantes, a falta de cuidado com a comida é recorrente 7 de maio de 2026 Mariana Lacerda/Conquista RepórterNa manhã desta quarta-feira, 6, a Coordenação de Vigilância Sanitária e Ambiental interditou o restaurante que fornece refeições para o Instituto Multidisciplinar em Saúde (IMS), campus Anísio Teixeira da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Vitória da Conquista. A ação aconteceu depois que estudantes que almoçaram no local, nessa terça, 5, passaram mal e relataram os mesmos sintomas.
Em nota, a Vigilância informou que a interdição da cozinha industrial, que está localizada no bairro Bem Querer, se deu por falta de alvará sanitário e outras irregularidades. Segundo o órgão, cabia aos responsáveis pelo local preparar e transportar as refeições que eram servidas na universidade.
“A equipe constatou, além da falta de alvará sanitário, condições inadequadas para a produção, armazenamento e transporte de alimentos, utensílios desgastados e falta de amostras das refeições produzidas para a análise da Vigilância”, diz a nota.
O processo agora segue com a instauração de um auto de infração contra a empresa para apurar os detalhes do caso, como quantas pessoas notificaram os sintomas e procuraram a rede de saúde. Com a interdição da cozinha, ela deverá permanecer fechada até que os representantes regularizem a situação com a Vigilância.

Vigilância Sanitária notificou cozinha por falta de alvará e de condições adequadas para a produção, armazenamento e transporte de alimentos. Foto: Secom/PMVC.
O que os estudantes relatam
Diarréia, dor abdominal, mal estar e náusea são as principais queixas dos alunos. Alguns chegaram a procurar atendimento médico em pronto-socorro ou nas unidades básicas de saúde (UBS). O estudante de Biotecnologia da Ufba, Mateus de Jesus Silva, conta que almoçou no restaurante universitário por volta das 13h. À noite, sentiu dores intestinais e, na madrugada, a diarreia começou.
“Só consegui dormir três horas, mesmo sentindo fortes dores. Acordei com dores, diarreia e enjoo. Não estava mais suportando essa situação, então resolvi buscar a unidade de saúde da família do meu bairro, onde fui atendido e diagnosticado com o CID 10A09”, explica.
O CID é a sigla para Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde e os números e letras que o acompanha indicam qual o tipo de enfermidade que acomete o paciente. Nesse caso, o CID 10A09 faz referência à infecção intestinal em que o agente causador (vírus, bactéria ou parasita) ainda não foi identificado ou confirmado por exames laboratoriais.

O restaurante universitário não funcionou nesta quarta, 6. Foto: Marina Barreto.
Outro estudante, que preferiu não se identificar, relata que passou a tarde deitado, sem apetite, com diarreia e enjoo. Enquanto isso, uma terceira aluna do IMS informou os colegas de que a UBS mais próxima estava sem médico e, por não conseguir ficar muito tempo longe do banheiro, estava com medo de procurar por atendimento em outra unidade.
Diante da situação, o Centro Acadêmico de Biotecnologia iniciou um levantamento para diagnosticar o que pode ter ocorrido e denunciar à direção do IMS. Segundo os dados reunidos, até o início da noite desta quarta, 6, mais de 90 estudantes confirmaram os sintomas.
Segundo a estudante que integra o Centro Acadêmico, Marina Barreto, algumas dessas pessoas seguiam em unidades de saúde para tomar soro. A aluna, que também chegou a ter sintomas leves, acrescenta que a Vigilância Sanitária recolheu os dados dos discentes para acompanhar os casos.
Denúncias não são recentes

Estudantes denunciam que já encontraram cabelo, larvas e até objetos como pregos na comida. Foto: Denúncia Anônima.
“Essa situação ocorreu por negligência, já que há muitos relatos e denúncias sobre como se encontra o restaurante universitário”, afirma Mateus. De acordo com ele, a situação já é recorrente. “Objetos, larvas e cabelo são encontrados na comida. Uma vez, acharam um prego. Os pratos, talheres e bandejas também estão quase sempre sujos”, denuncia.
Marina, que não estava almoçando no restaurante universitário por ter desenvolvido gastrite, retornou no início do ano e revela que essa empresa atual passou a servir as refeições recentemente.”Tiveram muitas reclamações de todo mundo sobre as condições daqui do restaurante universitário. As pessoas relatam coisas de higiene e precariedade”, explica a estudante.
O que diz a Ufba
O diretor do IMS, Márcio Vasconcelos Oliveira, conta que, assim que soube das condições dos alunos pela manhã, por meio de mensagens em grupos de WhatsApp, notificou o proprietário da empresa terceirizada que presta o serviço de produção de refeições para o campus.
Segundo ele, a Vigilância Sanitária interceptou os alimentos produzidos para hoje, impedindo a distribuição no IMS. “A direção do campus se reuniu, já no final da manhã, com a Vigilância Sanitária, a Vigilância Epidemiológica e com representantes do Núcleo Regional de Saúde”, informa. “Além disso, amanhã as equipes estarão na Ufba para procedimentos de investigação junto com os alunos”, complementa.
Outras medidas tomadas pela direção foram o encaminhamento para a Pró-Reitoria de Assistência Estudantil, responsável por notificar a empresa, e a solicitação da liberação de valor para alimentação aos alunos cadastrados, em regime de urgência.
“Lamentamos o ocorrido, mas as providências foram e estão sendo tomadas. Quanto às outras situações apontadas, não temos nenhuma formalização dos eventos citados”, finaliza o diretor.
*Esta matéria foi publicada originalmente pelo Conquista Repórter.