Mulheres ocupam as ruas de Conquista contra o machismo, a violência e a retirada de direitos

A manifestação, organizada pelo Fórum de Mulheres, criticou também o prefeito, Herzem Gusmão, pelo fechamento das escolas na zona rural de Conquista, e as reformas do governador Rui Costa e do presidente Jair Bolsonaro 9 de março de 2020 Clara Filippo e Tiago de Lima

Nesta segunda- feira (09/03) aconteceu a 4ª Marcha das Mulheres tendo como lema “em defesa da vida e contra a retirada de diretos”, em Vitória da Conquista. A concentração começou às 8h30 em frente à Prefeitura Municipal, e seguiu, depois, pelas ruas do Centro da cidade. O movimento foi organizado pelo Fórum de Mulheres em conjunto com representantes de coletivos feministas, por vereadores da Câmara Municipal de Conquista, sindicatos de professores do ensino público municipal e estadual (Simmp e APLB), da educação superior (Adusb) e dos bancários, movimentos sociais estudantis e LGBT e representações da zona rural e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

Além de defender os direitos das mulheres, os manifestantes criticaram o prefeito, Herzem Gusmão, pelo fechamento das escolas na zona rural de Conquista, e se posicionaram contra as reformas trabalhistas, tributárias e previdenciárias de Rui Costa, governador da Bahia, e do presidente Jair Bolsonaro. O protesto aconteceu um dia após o 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

Antes da saída da passeata pelas ruas do Centro, as mulheres organizadoras da Marcha foram até a sede da Prefeitura entregar um manifesto de reivindicações assinado por todas as organizações participantes. Essa é uma atividade realizada anualmente, mas as mulheres foram recebidas com portas fechadas. A presidente do Simmp, Ana Cristina Silva Novais, classificou o ato como um desrespeito às mulheres.

mulheres ocupam as ruas

A manifestação começou por volta das 8h30 e terminou às 12h. Foto: Avoador

De acordo com a diretora da Adusb (Associação dos Docentes da Uesb), Sandra Ramos, “o 8 de março tem uma representação histórica porque, por meio de greves e manifestações, as mulheres conseguiram reivindicar seus direitos. Hoje, estamos fazendo esse ato na rua para defender os nossos direitos.”

A professora de Ciências Sociais da Uesb, Nubia Regina Moreira, também esteve na manifestação e destacou a importância de pautas como o feminismo negro. “Estamos na rua para ratificar nossas pautas de luta, principalmente contra o feminicídio que abate, em sua maioria, as mulheres negras. Enquanto mulher negra busco racializar as pautas feministas”.  Já a integrante do Coletivo LGBT Comunista, Daiana Souza, enfatizou a existência da LGBTFobia que é enfrentada pelas mulheres trans no mercado de trabalho. “A mulher trans sofre o machismo quando ela não consegue acessar o trabalho e a universidade. Enquanto a mulher trans for violentada, nossa luta estará presente.”

Durante o ato, as manifestantes relembraram as histórias de mulheres que não puderam participar do protesto por serem vítima do machismo e da violência praticada por seus próprios parceiros. Destacaram ainda que a marcha não era uma comemoração pelo Dia das Mulheres, mas uma forma de resistência e luta contra o feminicídio, a violência doméstica e todos os tipos de abuso contra as mulheres por conta de seu gênero. A manifestação acabou às 12h, na Diretoria Regional de Educação (Direc), no Centro da cidade.

Por volta das 14h, o movimento tentou entregar um manifesto com suas reivindicações ao representante do governo do estado da Bahia, Ricardo Marques, mas não foi atendido.

Foto de capa: Avoador

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