O corpo e o tempo: como a prática de yoga contibui para a qualidade de vida

A prática auxilia com a postura, respiração e consciência corporal. Em Vitória da Conquista, projetos sociais na Uesb e no bairro Patgônia ofecerem aulas gratuitas 15 de maio de 2026 Alice Café

Em meio a uma rotina cada vez mais atravessada pela pressa, sobrecarga e pela sensação constante de urgência, práticas que propõem a desaceleração e escuta do corpo têm ganhado espaço, ainda que, muitas vezes, cheguem à vida das pessoas por caminhos marcados pelo cansaço ou dor. É nesse contexto que o yoga aparece, não apenas como uma atividade física, mas como uma experiência que reorganiza a forma de se relacionar com o próprio corpo e o tempo. 

Professor de yoga há mais de 30 anos, o soteropolitano Antônio Roque, de 51 anos, acredita que, mais do que melhorar a saúde física, aliviando dores ou sintomas do estresse, a prática auxilia as pessoas a encontrarem algo mais profundo. Para ele, a mudança mais significativa não está na execução das posturas, mas na relação que o praticante estabelece consigo mesmo, especialmente na capacidade de reconhecer limites e de sustentar o desconforto sem a necessidade imediata de evitá-lo. “A prática vai mostrando que nem tudo precisa ser resolvido na hora, e isso muda a forma como a gente vive fora do tapete”, afirma. 

O yoga ensina como abrir mão de certezas, desapegar do controle e viver no presente. É um exercício contínuo, muitas vezes silencioso e nem sempre confortável. Se por um lado há essa dimensão subjetiva da prática, por outro, os efeitos físicos também são evidentes, especialmente. “É uma atividade que contribui diretamente para postura, respiração e consciência corporal”, explica a fisioterapeuta e professora de yoga, Isabela Almeida

Ao modificar padrões respiratórios e estimular uma presença maior no corpo, o yoga auxilia ainda na redução de tensões acumuladas e reorganização do sistema nervoso, o que impacta não apenas o corpo, mas a forma como o indivíduo lida com situações de estresse. Nesse sentido, a respiração deixa de ser apenas um processo automático e passa a ocupar um lugar central na prática, como aponta B.K.S. Iyengar no livro A Árvore do Yoga”. O corpo se torna consicentemente um espaço de experiência e não apenas de execução.

“A prática do yoga vai mostrando que nem tudo precisa ser resolvido na hora”, afirma o professor Antônio Roque. Foto: Acervo Pessoal.

A percepção sobre as mudanças provocadas pela yoga no corpo surge de forma gradual para os praticantes. A advogada Catarina Queiroz ingressou nas aulas há um ano. “No início, eu não conseguia interromper o fluxo acelerado de pensamentos. Essa sensação não desapareceu completamente ainda, mas se tornou mais manejável ao longo do tempo.”

Projetos em Vitória da Conquista

Criado há mais de cinco mil anos na Índia, o yoga vem se popularizando também no Brasil. Embora frequentemente ofertado por instituições privadas, existem iniciativas que buscam democratizar o acesso à prática, como o Projeto Presença, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, em Vitória da Conquista. O programa oferece aulas gratuitas abertas à comunidade, funcionando como um espaço de acolhimento tanto para estudantes quanto para moradores da cidade que buscam uma alternativa de cuidado com o corpo e a mente. 

Outra iniciativa é o Projeto Social Maria Nilza, uma organização sem fins lucrativos do bairro Patagônia, que vincula a participação nas aulas à doação de um quilo de alimento no ato da matrícula, articulando a prática do yoga a uma dimensão solidária e comunitária. Por meio dessa atividade, o programa busca promover a prática também para populações socialemente vulneráveis.

Criado por Mãe Naza, o Projeto Social Maria Nilza oferece aulas gratuitas de yoga para os moradores do bairro Patagônia e adjacências. Foto: Projeto Maria Nilza.

Para os professores Antônia e Isabela, um dos desafios do yoga é garantir a permanência dos alunos, principalmente pela necessidade das pessoas em visualizar resultados imediatos. Diferente de outras atividades, essa prática propõe um tempo menos acelerado, no qual os efeitos nem sempre são visíveis rapidamente. Em tempos de pressa e aceleração, o yoga ensina como se relacionar com o próprio corpo e a conviver com os desconfortos da vida.

Foto de capa: Acervo Pessoal/Projeto Presença

*Essa reportagem faz parte da série Narrativas Afetuosas, produzida na disciplina Jornalismo na Internet II, durante o período especial, por alunos do 8º semestre do curso de Jornalismo da Uesb.

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