Blackface: histórica prática de racismo é uma realidade em Conquista

Duas empresas da cidade cometem essa prática que se baseia na representação estereotipada e pejorativa de homens e mulheres negras 30 de novembro de 2019

É uma tarde comum de terça-feira no Centro de Vitória da Conquista. Ali, uma figura se destaca entre as demais pessoas que circulam nos arredores do terminal de ônibus da cidade. Um tecido preto cobre e se ajusta a todo o seu corpo. Sobre ele, uma saia e uma echarpe de cor verde-limão chamam atenção. Uma peruca estilo black power, um grande laço de cabelo e uma bolsa que lembra o topo de um buquê de rosas completam o seu visual. Quase ninguém conhece o dono daquela fantasia, mas todos sabem o que ela representa. É a chamada “nega maluca” da Vitória da Sorte. Os olhos de quem passa por ali já estão acostumados a vê-la. E boa parte deles desconhece a problemática racial que a envolve.

Por trás do traje, está o conquistense Vinícius Barbosa*. De segunda a sexta-feira, ele sai do bairro Brasil, onde mora, e pega um ônibus até a Avenida Lauro de Freitas. Chega pouco antes das 8 horas na sede da empresa Vitória da Sorte. Lá, veste a fantasia da personagem que, segundo ele, representa a empresa, na qual trabalha há apenas dois meses. Após isso, parte para a rua com o intuito de vender as cartelas por meio das quais acontecem os sorteios de prêmios que garantem o lucro da organização. Vinícius não sabe, mas seu uniforme de trabalho ajuda a perpetuar uma prática racista historicamente repudiada pelo movimento negro: o blackface.

O termo costuma ser utilizado para se referir a casos em que pessoas, geralmente brancas, pintam o rosto de preto ou marrom para representar a população negra de forma estereotipada. Um desses casos ocorreu no mês passado, em Vitória da Conquista, na escola particular Maria Salomé, e gerou debates nas redes sociais. Mas a prática não consiste apenas em escurecer a pele com o uso de tinta ou maquiagem. Além de estar diretamente associada a estereótipos negativos da pessoa negra, desde sua origem, no século 19, ela tende a vir acompanhada da intenção de ridicularizar o negro por conta da sua cor e origem, das suas características físicas e até das suas condições sociais.

Na raiz do racismo

Muito comum entre 1830 e 1890, nos Estados Unidos, o blackface tinha como principal propósito entreter escravocratas. Estes formavam a maioria do público que assistia e aplaudia espetáculos teatrais humorísticos em que atores brancos passavam carvão no rosto e tinta vermelha na boca para ilustrar comportamentos exagerados atribuídos a homens e mulheres negras. Diante da segregação racial que caracterizava o contexto social do país nesse período, o blackface também era praticado no teatro ainda que não tivesse esse propósito pejorativo, já que os negros não eram autorizados nem a subir aos palcos para atuar.

Apesar de Vinícius utilizar tecido em vez de tinta para se fantasiar de “nega maluca”, a prática é a mesma, e contradiz com o que revela o contorno dos seus olhos, única parte do seu corpo que o pano preto não cobre: ele tem a pele negra de alguém que carrega consigo a descendência africana. De acordo com o historiador Henrique Oliveira, que discute e escreve sobre questões raciais em veículos jornalísticos, a personagem que o vendedor encarna é uma forma de representação negativa da mulher negra, e além disso, carrega o estigma de louca. “Ninguém se fantasia de branco, porque numa sociedade racializada como a nossa, as pessoas brancas carregam as representações positivas. Então, não faz ‘sentido’ se fantasiar de branco, já que ser branco é o padrão de sujeito considerado belo e normal”, diz.

"Nega maluca" da Vitória da Sorte

Para Vinícius, o que Henrique afirma também não faz sentido algum, pois ao contrário do historiador, ele não vê a “nega maluca” como uma forma de racismo. “É um personagem, né, que a gente se veste para vender. É normal”, comenta. Um olhar surpreso surge em seu rosto ao ser confrontado com algo semelhante à afirmação de Henrique. Então, ele volta a dizer: “É um emprego normal, só é fantasiado. Nunca recebi nenhuma crítica na rua”.

Críticas à “nega maluca”, porém, não faltam para Kêu Souza, militante do movimento negro em Conquista e integrante do Coletivo Feminista Negro Obá Elekó. Ela não hesita em demonstrar sua indignação com a prática e com a Vitória da Sorte. “É um absurdo. Não respeita a cultura identitária de um povo que é responsável pela construção deste país. Coloca o povo negro numa condição de marginalidade e de inferioridade, anula as nossas lutas, não valoriza nem enriquece a nossa cultura”.

Procurada pela reportagem do Avoador, a direção da Vitória da Sorte se recusou a comentar as críticas do movimento negro à “nega maluca” e a esclarecer por que alguns de seus vendedores utilizam a fantasia como uniforme de trabalho. Segundo Kêu, isso condiz com um aspecto que se observa de forma generalizada no Brasil: o fato de muitas pessoas não assumirem o seu racismo. “Isso é um problema, porque eles conseguem transformar a nossa luta em mimimi, em vitimização. Quando o país não assume o seu racismo e a dívida social que tem para com a comunidade negra, as nossas lutas são inviabilizadas e silenciadas”, ressalta.

Blackface em Conquista

Sede da Vitória da Sorte, na Avenida Lauro de Freitas, Centro de Conquista. Foto: Avoador.

Para a professora Edmacy Quirina, doutora em Educação e professora do curso de Pedagogia da Uesb, no campus de Itapetinga, casos como o de Vinícius evidenciam como o racismo está naturalizado em nossa sociedade, a ponto de legitimar uma prática que estimula uma zombaria completamente estigmatizada e pejorativa da pessoa negra. Pesquisadora no campo da educação étnico-racial, ela afirma que o blackface surge também como uma forma de impedir que o negro ocupe certos espaços, como o teatro e a televisão, por exemplo.

Debate histórico sobre a prática

Com o crescimento de movimentos antirracistas, a prática se tornou mais conhecida e passou a ser vista por mais pessoas como algo desrespeitoso com a comunidade negra. Isso, porém, não impediu que ela continuasse a ser reproduzida, tornando-se um problema racial de longa data. São diversos os casos de blackface na história da teledramaturgia brasileira, por exemplo, conforme lembra o historiador Henrique Oliveira: “Na novela A Cabana do Pai Tomás, em 1969, a Rede Globo fez o ator Sérgio Cardoso utilizar o blackface para viver o personagem principal, ao invés de utilizar um ator negro. Para termos ideia, essa foi a novela que contou com a primeira atriz negra, que foi a Ruth de Souza, falecida em 2019”.

Exemplo mais recente é o quadro do Zorra Total que tinha como protagonista a pedinte Adelaide, interpretada pelo ator Rodrigo Santana. A personagem, que causou indignação no público sensível às questões raciais, concentrava em si diversos estereótipos negativos atribuídos a mulheres negras: era desdentada, ignorante e ocupava uma posição de extrema marginalidade. Por conta disso, levantou discussões sobre o blackface e a longa tradição do humor baseado em estereótipos raciais em nosso país.

O debate em torno do tema foi novamente reacendido em setembro deste ano após a publicação de fotos e vídeos em que o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, aparece com o rosto pintado de preto em pelo menos duas ocasiões. Ele admitiu que essa era uma conduta racista e pediu desculpas. Disse que na época em que foram registradas as imagens – início da década de 2000 – não tinha consciência disso.

O caso da Escola Maria Salomé

Em Conquista, o assunto circulou pelas redes sociais no último mês de outubro, depois que foram divulgadas fotos de uma mulher e de uma criança com os rostos pintados durante um projeto interdisciplinar da Escola Maria Salomé no próprio perfil oficial da instituição no Instagram. A direção da escola foi duramente criticada por diversos internautas e ativistas locais do movimento negro. Patrícia Almeida*, professora da rede pública estadual de ensino, visualizava stories na rede social quando se deparou com uma das fotografias.

“Eu já seguia o perfil da escola e tenho uma amiga que é mãe de dois alunos que estudam lá. E aí, eu passei os stories, vi aquilo e não comentei com ninguém. Eu falei: ‘Meu Deus do céu, que absurdo’. Estava digerindo ainda. Então, essa minha amiga tirou print [da foto] e mandou pra mim no WhatsApp, e falou: ‘Só eu que estou vendo esse problema aqui ou isso é blackface?’ A partir daí, eu vi então que aquilo não era só coisa da minha cabeça”, relata Patrícia.

Blackface em Conquista

Com mais de 38 anos de existência, Escola Maria Salomé é conhecida em Conquista por aderir ao Método Montessori de educação. Foto: Avoador.

Daise Cardoso, docente do curso de Engenharia Florestal da Uesb, também recebeu a mesma fotografia no WhatsApp, no dia 8 de outubro. De acordo com a amiga que havia lhe enviado o print da foto, a mulher que havia feito o blackface, na ocasião, tinha a intenção de representar a cultura identitária do continente africano e, aparentemente, desconhecia que aquilo era considerado uma prática racista. “Era nítido que aquela mulher não era negra, que aquela cor não era dela e que ela estava maquiada. Quem estava perto, quem a viu pintada disse que dava pra ver a tinta escorrendo de tanta base que ela tinha passado. Mas, eu fiquei apreensiva de postar alguma crítica no dia que recebi o print porque a gente não sabe, né, o que se passa na cabeça das pessoas”, conta Daise.

Naquele mesmo dia, ao visitar o perfil da escola no Instagram, Daise viu que a foto havia saído do stories da instituição. Não sabia, porém, se a própria escola foi orientada a apagá-la. No dia seguinte, uma nova publicação a chocou: dessa vez, duas meninas apareciam lado a lado na frente de um painel vertical repleto de fotos de homens, mulheres e crianças africanas. Uma das meninas tinha o rosto pintado de marrom. “Dava para ver que ela era branca pela cor dos seus braços, que não estavam pintados”, lembra Daise.

O plano de fundo da fotografia republicada no stories da Maria Salomé trazia ainda a bandeira do país Guiné-Bissau. A aluna que tinha o rosto pintado vestia uma longa bata estampada de cor predominantemente verde e usava também adereços característicos da cultura africana, como o turbante. Percebendo então que a prática racista continuava a ser reproduzida na escola e ainda vinha sendo divulgada em seu perfil oficial no Instagram, Daise decidiu conversar com outras amigas sobre o caso e repercutir a história em sua rede social.

“Fui no Instagram da escola, respondi o story em que a menina estava pintada e falei: ‘Poxa vida, blackface em pleno 2019?’ Aí eu ‘printei’ essa minha fala no direct do Instagram e pedi aos amigos que fazem parte da minha rede para ir lá no perfil da escola e denunciar o caso também. Daí em diante, diversas outras pessoas escreveram coisas no Instagram da escola. E o caso ganhou uma repercussão maior mesmo. Eu e minhas amigas conhecemos uma pessoa que presta serviços na escola que nos disse que a direção questionou quem tinha feito ou autorizado aquilo porque, a princípio, a pessoa que ia estar no lugar dessa moça que se pintou era uma professora negra. Mas, até onde a gente sabe, não há negros no quadro de professores da escola”, relata. Essa informação não foi confirmada pela direção da escola, que diz que cerca de dez dos 30 professores da instituição são negros.

Patrícia, assim como a professora Daise Cardoso, também denunciou o caso em sua rede social e respondeu aos stories publicados no perfil da Maria Salomé, questionando a escola sobre aquela ação. “Pedi para ir lá conversar com a direção da escola, falar que aquilo era blackface e que a escola não deveria estar replicando esse tipo de coisa”. Como resposta, ela recebeu uma nota assinada pelo diretor executivo da instituição, Allyson Borba. Essa mesma nota foi encaminhada para todas as outras pessoas que enviaram mensagens para a escola por meio do Instagram.

No texto assinado por Allyson, a direção da Maria Salomé assumiu que aquela era uma prática racista e pediu desculpas ao movimento negro e demais pessoas que se sentiram ofendidas com as publicações. Afirmou ainda que a escola coibia práticas racistas e outras formas de discriminação racial, porém, de acordo com Patrícia, cometeu outros equívocos. “O texto da nota deu a entender que a instituição compreendia a educação étnico-racial como uma educação inclusiva. Por conta disso, devolvi de novo outras mensagens falando desses equívocos. Então, eles agradeceram e ficou por isso”, conta.

Para a professora da rede pública estadual de ensino, a resposta dada pela instituição mostra o seu despreparo pedagógico com relação à educação étnico-racial. “Para mim, ficou na cara que a escola deve tratar da cultura afro-brasileira de forma superficial. Eu não senti firmeza no seu posicionamento antirracista, principalmente por conta dessa fala”. Confira os prints da conversa tida entre Patrícia e o responsável pelo perfil da escola no Instagram:

A opinião da militante Kêu Souza sobre o posicionamento oficial emitido pela Maria Salomé é similar à de Patrícia. “Trata-se de uma conversa mentirosa, rasa e vazia. Aí eu penso: A escola diz que não nega o debate étnico-racial. Mas e aí: não tem um educador ou uma representatividade negra dentro dessa escola? Será que essa escola precisa pintar alguém de preto para poder fazer referência ao negro? Qual é a responsabilidade social que essa escola tem para com a comunidade negra? No que se refere à educação étnico-racial, ela tem muito o que aprender”.

Na tarde do último dia 18, a reportagem do Avoador foi até a Maria Salomé para ouvir o posicionamento da empresa acerca dessas críticas e do caso em si. Quem nos recebeu foi o próprio diretor executivo da instituição, Allyson Borba. Após uma breve conversa sobre o tema da matéria, ele informou que consultaria a assessoria de imprensa da escola, primeiramente, para, somente então, conceder uma resposta, via e-mail, às nossas perguntas. Porém, na quinta-feira, 28, ele entrou em contato com a nossa redação para informar que não comentaria mais o assunto, por recomendação da assessoria jurídica da escola. A justificativa, de acordo com Allyson, seria um processo movido em sigilo no Ministério Público em decorrência do caso.

Blackface e racismo institucional

A professora e pesquisadora, Edmacy Quirina, destaca que a ausência de uma representatividade negra no corpo de professores e demais funcionários de uma escola é um dos fatores que reforça o chamado racismo institucional e a coloca como um espaço privilegiado de aprendizagem e reprodução de práticas como o blackface. Autora da pesquisa “Crianças negras em escola de ‘alma branca’: um estudo sobre a diferença-étnico racial na educação infantil”, ela afirma que o racismo institucional é uma forma de subordinação do Estado Democrático às necessidades do racismo, fazendo com que os direitos inexistam ou existam de forma precária para a população negra de determinada sociedade. E isso reflete na desigualdade existente entre raças no interior de organizações, empresas e demais instituições.

“A criança que está em processo de formação, que é preta e se depara com professores brancos, por exemplo, dificilmente vai avistar a possibilidade de se tornar professora futuramente ou de ter uma ascensão social. E vale destacar também que os professores, muitas vezes, não conseguem, pela formação que tiveram, visualizar que a diversidade que existe na escola – seja racial, étnica ou sexual – e que poderia ser trabalhada de forma a valorizar as diferenças passa a figurar como uma forma de desigualdade”, afirma a pesquisadora.

Isso, ainda de acordo com Edmacy, deve-se ao fato de que são poucos os cursos de licenciatura que possuem em sua base curricular disciplinas voltadas, especificamente, para as discussões étnico-raciais. Ela comenta que, no campus da Uesb de Itapetinga, por exemplo, apenas o curso de Pedagogia, no qual ela atua como professora, discute as relações entre a educação e o racismo. “Nos demais cursos, até onde eu sei, não se toca no assunto. Consequentemente, o professor que sai desses cursos vai para a sala de aula da educação básica despreparado para lidar com a discriminação racial”, sublinha.

A militante Kêu Souza também questionou, durante a entrevista que concedeu ao Avoador sobre o caso de blackface na Maria Salomé, onde estaria o comprometimento real da escola com as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, responsáveis por tornar obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena na educação básica. A implementação da Lei 10.639, particularmente, foi uma conquista histórica para o movimento negro, pois fez com que a cultura afrodescendente passasse a ser vista, em termos legais, como elemento constituinte e formador da sociedade brasileira.

Blackface em Conquista

“As pessoas precisam ter consciência do que elas estão cometendo. Não pode se esconder na sua zona de conforto e achar que pode sair tratando as pessoas como caricatura, como alegoria, como objeto”, diz Kêu Souza, que é também historiadora e educadora social. Foto: Arquivo Pessoal.

Entretanto, a professora Edmacy ressalta que leis como essa e outras políticas públicas de combate ao racismo ainda esbarram no desconhecimento e na intolerância de boa parte da população. “Embora tenhamos conquistado alguns avanços por conta das pressões do movimento negro, nós ainda precisamos ampliar a nossa formação sobre as relações étnico-raciais. As conquistas que tivemos não são suficientes para implodir esse racismo. E as discussões e debates sobre esse tema precisam acontecer o ano inteiro, diuturnamente, e em todas as instâncias da sociedade”, defende.

Após denunciar a prática de blackface ocorrida na Escola Maria Salomé, Patrícia se deparou com essa intolerância e com essa falta de conhecimento sobre o racismo por parte de mães de alunos da escola e de pessoas relacionadas a essas mães. “Recebi umas cinco ou seis mensagens. Em alguns momentos, falaram que o racismo estava nos meus olhos, que era maldade da gente, uma tentativa de desmerecer o projeto da escola. Mas em nenhum momento a gente criticou ou invalidou o projeto. Só criticamos uma prática racista que passou incólume por lá. Ninguém viu o problema até a gente relatar”, conta.

Isso aconteceu, segundo ela, mesmo após a escola ter se retratado publicamente em suas redes sociais. A professora da rede estadual de ensino afirma ainda que, além de desconhecimento, há também má vontade das pessoas para “colocar suas crenças em xeque, trocar de lugar ou de narrativa. Elas ainda resistem a discutir esse tipo de tema”.

Nesse sentido, a pesquisadora Edmacy reforça a necessidade de denunciar práticas como o blackface. “A partir do momento em que nos silenciamos acerca disso, naturalizamos, reproduzimos e compactuamos com esse racismo’, conclui.  Posicionamento parecido é manifestado por Kêu Souza: “As pessoas precisam ter consciência do que elas estão cometendo. Não pode se esconder na sua zona de conforto e achar que pode sair tratando as pessoas como caricatura, como alegoria, como objeto. É um absurdo, é vergonhoso, é nojento, é medíocre, é leviano, mas sobretudo, é racista”.

Erramos: parte de print com fotografia publicada foi apagada

Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o print publicado de uma resposta no Instagram citado por uma das fontes da matéria “Blackface: histórica prática de racismo é uma realidade em Conquista”, que continha a imagem, ainda que borrada, de uma criança foi apagado da reportagem. O Avoador tem responsabilidade com o conteúdo jornalístico que produz em Vitória da Conquista, e por isso pede desculpas pelo incidente e reconhece que errou ao não omitir, totalmente, a imagem mencionada.

 

*Nome alterado para preservar a identidade da fonte.

Afonso Ribas é jornalista formado pelo curso de Jornalismo da Uesb e colaborador do site Avoador.

Foto de capa: Avoador

3 respostas para “Blackface: histórica prática de racismo é uma realidade em Conquista”

  1. Leonardo disse:

    Chega doer nos olhos os erros de português da Patrícia que dialogou com o responsável da escola, e o que será que deu para ela fazer como o tempo que ela economizou abreviando algumas muitas palavras?

  2. --- disse:

    Ótimo texto! Bem esclarecedor. Gostei do apanhado de informações sobre o assuntos e casos similares.
    Eu me lembro do programa Pânico e o caso do Eduardo Sterblitch, que foi onde eu entendi o que era o Blackface.
    Eu não tinha ciência deste caso aqui em Vitória da Conquista.
    É obvio que essas práticas são pejorativas e ridicularizam a imagem do negro.
    O racismo está onde menos imaginamos! Ainda mais numa cidade longe do litoral (onde por razões históricas, se concentra a maior parte da população negra baiana), de maioria esmagadora branca.

  3. White people caricata disse:

    Corrigindo o português do Leonardo:

    “Chega doer os olhos os erros de português da Patrícia, que dialogou com o responsável da escola. O que será que deu para ela fazer com o tempo que economizado abreviando algumas palavras?”

    Antes de falar dos outros olhe para si. E por acaso existe alguma regra universal que obrigue as pessoas a falarem corretamente na internet? Muito pelo contrário, num lugar no ciberespaço onde há um consenso subjetivo sobre o uso de gírias próprias e nova linguagem, sem prejudicar quem escreve de maneira “errada”, não faz mais sentido uma crítica nesse sentido a não ser que seja uma matéria, reportagem como essa, ou sites, instituições governamentais e comprometidas que exigem formalização. Fora que a Patrícia é professora e com certeza deve ter artigos publicados por aí, o que só evidência que ela sabe exatamente como utilizar as diversas linguagens em seus locais apropriados.

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