Comemorações festivas de fim de ano podem gerar segunda onda de infecção da covid-19

O alerta já havia sido feito por especialistas que destacam acontecer após aglomerações festivas 16 de novembro de 2020 Alexya Leite

O ano de 2020 foi marcado por isolamento contínuo e restrições sociais em decorrência da pandemia da covid-19. O ano de 2021 ainda será de muita cautela. Infectologistas estimam que janeiro do próximo ano pode haver um sobressalto de infecção pela doença. Resultado da flexibilização do isolamento durante comemorações festivas de fim de ano.

Segundo alerta do Comitê Científico do Nordeste emitida na última sexta-feira (23/10), uma segunda onda de novos casos ameaça chegar à região nos próximos meses. O evento, já sentido em países da Europa como França, Espanha, Itália e Reino Unido pode chegar no Brasil com a negligência das medidas sanitárias.

Para o infectologista do Hospital São Rafael, Fábio Amorim, “em janeiro, espera-se um número maior porque em dezembro começam as grandes festas. Chega o verão também. As pessoas não aguentam ficar sem praia”. Amorim pontuou que a maior parte da população faz uso de transporte coletivo para se deslocar até as praias, entretanto, até a aglomeração causada em veículos particulares é preocupante. “Então é de se esperar um aumento, da gente passar por tudo novamente.”

O infectologista contou que pacientes que se contaminaram na comemoração do feriado de 12 de outubro [Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil] já estão sendo tratados. Entretanto, devido à campanha eleitoral, pessoas estão se descuidando e gerando aglomerações. “Há duas semanas, quando teve o primeiro aumento, recebemos muitos pacientes do interior, vindos de convenções partidárias. Para cada feriadão, se conta de 10 a 12 dias e se tem um novo incremento no número de pacientes. A gente que chegou a diminuir o número de leitos dedicados à covid-19, já estamos vendo aumentar”, completou Amorim.

Após oito meses, está cada vez mais recorrente ver pessoas flexibilizando o isolamento social. Para a médica infectologista do Hospital CardioPulmonar, Clarissa Ramos, “de fato, existe uma influência da saúde mental de quem não aguenta mais estar isolado”, entretanto, é preciso continuar se protegendo do vírus. “Se você realmente for socializar, que faça de maneira segura, mantendo distância, em ambientes arejados, usando máscaras.”

Clarissa afirma que após as comemorações de fim de ano “demora algumas semanas para que os sintomas comecem a surgir”, ressaltando a chance do aumento dos casos logo no início de 2021.

“A segunda onda é uma possibilidade real, mas ainda não é uma certeza”, explicou o professor Sérgio Rezende, um dos coordenadores do Comitê Científico do Nordeste. Ele disse que em outros países o aumento no número de casos chegou ao dobro do pico anterior. Já no Brasil, a curva não seguiu o movimento da dos países europeus. “Nossa curva sobe desde março e só começou a cair há pouco tempo, então temos uma primeira onda muito longa, e por isso talvez não tenhamos a segunda. Mas é preciso estar alerta, de sobreaviso.”

Fonte: Correio 24 horas

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