Grupos antivacina propagam desinformação contra pesquisas da covid-19

Foi constatado que 35% dos boatos são divulgadas em línguas estrangeiras ou com tradução quase literal. Inglês, espanhol, italiano e russo são as línguas com conteúdo mais publicado 31 de agosto de 2020 Alexya Leite

Enquanto os cientistas buscam desenvolver uma vacina para prevenir a covid-19, os grupos antivacina já estão organizados disseminando informações falsas contra as pesquisas, gerando desinformação entre a população. Esse é o resultado dos estudos realizados pelo movimento global cívico Avaaz e da União Pró-Vida, grupo de estudos interdisciplinar de acadêmicos da USP.

A União Pró-Vida analisou os dois maiores grupos antivacina do Facebook brasileiro, que apresentaram aumento crescente de conteúdo falso em três meses. De maio a julho, o fluxo de postagens contra a vacina chegou a 383%, com sinais de progressão.

Foi constatado que 35% dos boatos são divulgadas em línguas estrangeiras ou com tradução quase literal. Inglês, espanhol, italiano e russo são as línguas com conteúdo mais publicado.

A União identificou que 10 sites de boatos recebem quatro vezes mais acessos do que os dez sites das principais instituições de saúde, como a OMS (Organização Mundial de Saúde) e o CDC (Código Brasileiro de Defesa do Consumidor) no mesmo período.

A Avaaz verificou que grande parte do conteúdo falso sobre saúde no Facebook não recebeu qualquer alerta da plataforma. O agravante é que as informações disseminadas foram avaliadas por entidades independentes de renome.

No Brasil, o Projeto de Lei das “Fake News” discute a polêmica das notícias falsas. Entretando, o Avaaz afirma que a PL é restritiva e não combate impactos do conteúdo desinformativo que não estiver discriminada no projeto.

“Na sua forma atual, por exemplo, o projeto não protegeria a maioria dos cidadãos contra notícias falsas sobre a pandemia da covid-19, prejudicando o direito fundamental à saúde”, anuncia o Avaaz.

Estudiosos da Avaaz e União Pró-Vacina defendem ferramenta que corrija danos individuais e coletivos através da disposição e distribuição de fatos para usuários expostos ao conteúdo fake.

Os estudiosos recomendam que as informações sejam disponibilizadas por fontes independentes e confiáveis para que cada indivíduo possa fazer o próprio juízo de valor, sem o apagamento de qualquer fato. Desse modo, a liberdade de expressão fica garantida sem prejuízos à população.

Fonte: Revide
Crédito: Pixabay

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