Trabalhadores terceirizados da Uesb mantém paralisação por atraso de salários pela empresa Creta

Até esta sexta-feira (11/09), apenas os funcionários da limpeza receberam os salários atrasados, enquanto recepcionistas e outras funções de apoio seguem sem receber os vencimentos 11 de setembro de 2026 < Lázaro Oliveira e Malu Castro*

Trabalhadores terceirizados contratados pela empresa Creta, que prestam serviços à Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), estão com as atividades paralisadas desde a última quarta-feira (9/09) em protesto contra o atraso no pagamento de salários e outros direitos trabalhistas. Até esta sexta-feira (11/09), apenas os funcionários do setor de limpeza receberam os salários atrasados referentes ao mês de agosto, enquanto recepcionistas e outras funções de apoio seguem sem receber os vencimentos.

De acordo com o diretor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Urbana, Ambiental e Áreas Verdes do Estado da Bahia (Sindilimp-BA), da subseção da região Sudoeste, Reinaldo Neres, a paralisação seguirá até que todos os pagamentos sejam regularizados. “Chegamos a mais um mês de falta de respeito com esses trabalhadores que dão seu sangue, acordam cedo para vir fazer a limpeza para que essa unidade funcione, e os gestores estão pouco se lixando”, disse.

O atraso dos salários atinge trabalhadores da recepção e outras funções administrativas nos campi de Vitória da Conquista e Jequié. A recepcionista Edenize Silva trabalha na Uesb há oito anos e relata as dificuldades causadas pelo não cumprimento do contrato pela empresa Creta. “Não conseguimos deixar as nossas contas em dia. Temos juros e compromissos que não estamos podendo arcar. Isso atrapalha o nosso psicológico. Temos colegas com crises de ansiedade e insônia por causa de contas atrasadas.”

Milena Nascimento também atua como recepcionista e foi surpreendida com o contracheque zerado. “Meu contracheque foi descontado duas vezes, sendo que entrei de férias apenas no mês de julho, e estão constatando que não irei receber nada. Isso me afeta muito, pois tenho um filho e preciso arcar com as despesas.”

Além do atraso dos salários, os trabalhadores denunciam o parcelamento do vale-transporte e do vale-alimentação. “A gente só recebeu uma parcela do transporte e alimentação. O valor de R$110 não dá para a gente fazer nada. Não dá para vir trabalhar desse jeito”, conta Edenize.

Segundo o representante do Sindilimp, em reunião com a categoria, a reitoria da Uesb afirmou haver possibilidade de rescisão do contrato com a Creta. “Tivemos uma reunião com o reitor, o pró-reitor e o chefe administrativo da universidade, na qual nos informaram que será realizado um distrato com a empresa. Também disseram que vão estar absorvendo esses trabalhadores até a nova empresa assumir, só não informaram quando isso vai acontecer”, disse Reinaldo.

Até a publicação desta matéria, a Uesb não havia se manifestado publicamente sobre a situação dos terceirizados. O site Avoador solicitou posicionamento da universidade, via e-mail, mas não recebeu respostas. A redação também buscou a empresa Creta. A representação da terceirizada afirmou que “a empresa iniciou as tratativas para regularizar a situação dos pagamentos.”

Histórico de atrasos

A situação de atrasos dos pagamentos e direitos trabalhistas não é uma novidade. No mês de agosto, os trabalhadores terceirizados também paralisaram as atividades nos três campi, Vitória da Conquista, Jequié e Itapetinga, em protesto contra a empresa Creta. No dia 14 daquele mês, a reitoria da Uesb suspendeu as atividades acadêmicas e administrativas por causa da mobilização dos funcionários. A decisão foi tomada em reunião dos membros do Conselho Superior (Consu), conforme a Portaria 525/2026.

Na época, a universidade informou a criação de uma Comissão Processante para definir ações jurídicas relacionadas ao descumprimento do contrato por parte da Creta. Neste mês de setembro, o Avoador questionou a assessoria da Uesb sobre as ações desse grupo, mas, até o momento, não recebemos respostas.

A Creta não é a primeira terceirizada que descumpre os direitos de trabalhadores da Uesb. Em março de 2025, funcionários terceirizados responsáveis pela limpeza e jardinagem não receberam o pagamento de seus salários referente ao mês de fevereiro daquele ano. Naquele momento, havia um problema contratual com a empresa A7 Serviços, por isso, a Uesb assumiu a responsabilidade de remunerar os trabalhadores.

A A7 Serviços possuía contas bloqueadas na justiça, o que inviabilizava o pagamento dos trabalhadores. Segundo relato dos servidores, a empresa já não cumpria com as demandas financeiras desde o início de 2024. Em seguida, a empresa Creta venceu o processo de licitação e assumiu o contrato com a universidade.

Em 2024, os terceirizados também paralisaram as atividades por falta de pagamento. Após 11 dias de mobilização, os trabalhadores receberam das empresas A7 e Positiva o salário integral e o valor referente a 15 dias de vale-transporte e alimentação.

Foto de capa recebida por uma fonte anônima.

*Lázaro Oliveira e Malu Castro são bolsistas do Programa de Extensão Jornalismo como forma de Transformação Social no combate à Desinformação.