OMS suspende testes da cloroquina em pacientes com a covid-19

Testes feitos com 96 mil pessoas apontaram que a cloroquina e a hidroxicloroquina não possuem eficácia no tratamento da doença 26 de maio de 2020 Janaína Borges

Nesta segunda-feira (25/05), a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um comunicado sobre a suspensão temporária dos testes da cloroquina em pacientes com a covid-19. A decisão aconteceu após pesquisa constatar que o medicamento não é eficaz no tratamento da doença e pode aumentar a taxa de mortalidade.

Durante os últimos dois meses, a OMS coordenou o estudo internacional Solidarity em 18 países com a hidroxicloroquina e a cloroquina, além da combinação de outros medicamentos. O objetivo da pesquisa era verificar a segurança e os benefícios das drogas no combate ao coronavírus.

De acordo com o diretor da OMS, Tedros Adhnom Ghebreyesus, a suspensão dos testes ocorreu após a divulgação do estudo na revista científica “The Lancet”. Realizada com 96 mil pessoas, a pesquisa identificou que não houve eficácia da cloroquina e hidroxicloroquina contra o novo coronavírus e ainda detectou o risco de arritmia para os pacientes.

O estudo comparou os resultados de 1.868 pessoas que receberam cloroquina, 3.016 que fizeram uso da hidroxicloroquina, 3.783 que usaram a cloroquina e os macrólidos, que são uma classe de antibióticos, 6.221 pacientes que usaram hidroxicloroquina e macrólidos e, por fim, o grupo controle, que não fez uso de nenhum medicamento, e serve como base para comparações, formado por 81.144 pacientes.

No final da pesquisa, 1 a cada 11 pacientes do grupo de controle havia morrido, ao total 7.530 pessoas, por volta de 9,3%. Cerca de 1 a cada 6 pacientes que usaram cloroquina ou hidroxicloroquina morreram, sendo 307 pacientes, cerca de 16,4% que usaram a cloroquina, e 543 pacientes (18%) que usaram hidroxicloroquina. Dos que fizeram uso da cloroquina e da hidroxicloroquina com os macrólidos, aproximadamente 1 a cada 5 pessoas morreram.

Houve 839 mortes (22,2%) com o uso da cloroquina e antibiótico, e 1.479 mortes, em torno de 23,8%, com o uso da hidroxicloroquina e antibiótico. Todos os tratamentos com o uso dos medicamentos foram associados ao risco de morte no hospital.

No Brasil, o Ministério da Saúde autorizou, na última quarta-feira (20/05), o uso da cloroquina em pacientes da covid-19, incluindo aqueles com sintomas leves. De acordo com o novo protocolo, a decisão de uso do medicamento cabe ao médico e ao paciente, que ainda terá que assinar um termo de ciência e consentimento.

O último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado neste domingo (24/05), apontou mais de 363 mil casos confirmados da covid-19 e 22.666 mortos pela doença.

Foto de capa: Reprodução/Internet

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