3 de abril de 2020

Entenda como foi o processo de produção da reportagem sobre a Cidade Verde

O passo a passo do processo de apuração da reportagem, que segue procedimentos éticos e técnicos rigorosos, é explicado detalhadamente

Circula nas redes sociais e, especialmente, no aplicativo de mensagens WhatsApp, uma imagem que acusa o Avoador de disseminar informações falsas. Trata-se de um print da reportagem publicada na quarta-feira, 1° de abril, sobre a suspensão dos contratos de funcionários da empresa Cidade Verde. A imagem está sendo compartilhada com um selo de “Fake News” incorporado a ela.

Além do uso indevido e equivocado do nome do veículo, nossa equipe tem sofrido ameaças em decorrência da repercussão da reportagem. Por isso, levando em consideração que a transparência é a nossa maior aliada contra a desinformação, iremos descrever aos nossos leitores o passo a passo de uma apuração jornalística.

O site Avoador, criado em 2016, é um produto laboratorial da disciplina Jornalismo Digital, pertencente à grade curricular do curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), e é também projeto de extensão da instituição. Foi desenvolvido para levar informação de qualidade aos moradores de Vitória da Conquista e região Sudoeste.

O seu conteúdo segue os mais rígidos preceitos jornalísticos em termos éticos e técnicos no processo de produção, como a apuração dos fatos comprometida com a verdade, uma rechecagem para averiguar possíveis falhas, transparência no trabalho realizado, uma narrativa clara e objetiva, uma apresentação visual atrativa em diferentes formatos e uma distribuição de material que utiliza o mais inovador das plataformas de redes sociais e aplicativos de mensagens.

Além disso, temos uma linha editorial focada em um jornalismo que busca a transformação da realidade desigual que vivenciamos na cidade, estado e país. Nosso jornalismo quer um outro mundo possível.

Na última semana do mês de março, a equipe do Avoador recebeu a denúncia de que a Cidade Verde, empresa do transporte coletivo urbano de Vitória da Conquista, havia suspendido os contratos de funcionários durante a pandemia do novo coronavírus. Verificamos o que já havia sido publicado nos blogs locais. A informação era de que alguns funcionários haviam sido suspensos e 30 demitidos. Iniciou-se, assim, o processo de apuração da reportagem.

As repórteres estiveram em contato, via telefone, com funcionários da empresa que relataram terem sido coagidos pela Cidade Verde a assinar o termo de suspensão de contrato. Duas das fontes entrevistadas pediram anonimato por medo de serem alvos de represálias.

O Avoador entrou em contato também com a Cidade Verde. Ligamos para o telefone fixo da empresa no sábado, dia 28 de março, e um recepcionista disse que nenhum responsável pela direção se encontrava no momento. Pedimos então o telefone pessoal do responsável pela empresa, e o atendente disse que pediria a autorização para nos passar o contato.

Telefonamos pela segunda vez, no mesmo dia, 28, e o atendente disse que deveríamos entrar em contato com a assessoria da empresa. Ele nos passou um número de telefone fixo que, supostamente, pertenceria a assessoria da Cidade Verde. Ligamos diversas vezes para esse telefone no sábado e, novamente, na segunda-feira, 30 de março. Não houve retorno.

Obtivemos então o contato do gerente de operações da empresa, Geovanino Jorge Nogueira, com quem conversamos, via telefone, na segunda-feira, 30. Ao ser questionado sobre a quantidade de funcionários suspensos, o gerente afirmou que se tratava de 226 até o momento e que também tinha ocorrido a rescisão de 16 contratos de experiência. Ele também negou  a suspensão de contratos de mulheres grávidas. Na quarta-feira, 1º de abril, entramos em contato com Geovanino, mais uma vez, para questioná-lo sobre a suspensão de pessoas com deficiência. Não obtivemos respostas.

O Avoador recebeu também, de fontes sigilosas, as listas com os nomes dos funcionários convocados para reuniões na garagem da Cidade Verde, no dia 25 de março. Eram quatro documentos que chamavam os funcionários para reuniões às 8h, 10h, 14h e 16h daquele dia. As fontes entrevistadas nos contaram que ficaram sabendo das suspensões dos seus contratos naquelas reuniões.

Não divulgamos os documentos porque entendemos que é nosso dever ético preservar as identidades dos funcionários que confiaram em nós para contar suas histórias.

Além de tudo isso, o Avoador entrou em contato também com uma advogada do Direito do Trabalho para esclarecer os aspectos jurídicos da questão. Todo o embasamento jurídico que conseguimos com a fonte especializada está presente na matéria publicada.

Queremos mostrar com tudo isso que existe um processo de produção rígido seguido pela equipe do Avoador. É importante salientar ainda que temos todas as ligações, conversas de WhatsApp, áudios, e documentos arquivados.

Queremos demonstrar também qual a diferença entre um jornalismo sério e uma informação falsa que não faz apuração, não é ética nem transparente. O Avoador faz com seriedade o seu trabalho jornalístico.

Uma resposta para “Entenda como foi o processo de produção da reportagem sobre a Cidade Verde”

  1. Anônimo disse:

    Toda a história que foram passadas para vocês é verídica. Assinaram o contrato com medo de serem demitidos por justa causa. Ameaçaram pelo grupo da empresa e lá, pessoalmente. Alegaram que não tinham dinheiro. Que os funcionários só tinham essa saída!
    Eles assinaram por medo de sofrem represálias da empresa. Essa foi a realidade. E se embasaram em um trecho que já tinha sido revogado da MP. Suspensão por 4 meses e sem salário. Estava revogado no dia da assinatura. Eles agiram de má fé e abusaram da fragilidade dos pais e mães de famílias que ali estavam. Mas a prefeitura não faz nada, o ministério não faz nada. E os trabalhadores estão com medo do que a empresa farão com eles, caso entrem na justiça. O que aliás, pelo contrato eles não podem entrar com ação na justiça. Fizeram um contrato que não deu válvula de escape para a classe trabalhadora.

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