#VidaNoCirco| O talento performático de Lorena

A artista circense começou criança e, atualmente, aos 25 anos, é uma profissional multifacetada, nos shows atua como malabarista, bailarina, trapezista e até motoqueira do globo da morte 24 de março de 2020 Brendon Eduardo

Lorena Beatriz Pena, maranhense de 25 anos, é uma das artistas do Tirullipa Circo Show, que esteve em Vitória da Conquista entre janeiro e fevereiro de 2020. Mas ela não é qualquer artista, é múltipla: atua como malabarista, bailarina, acrobata, trapezista e motoqueira do globo da morte . As acrobacias realizadas com o bambolê são o ponto alto da sua apresentação solo, sendo uma mais aguardadas do público.

A jovem artista nasceu na cidade de Imperatriz e, desde criança, quando teve o primeiro contato com o circo, começou os treinos para realizar o sonho de um dia se apresentar no picadeiro. Como relembrou Lorena, esses treinos começaram como uma diversão. “Na cidade, tem lei dizendo que criança não pode trabalhar, mas no circo a gente começa como brincadeira. Os adultos estão em um canto ensaiando, e então você pega uns malabares, um bambolê, sobe o trapézio com seis ou sete anos, e vai. Os nossos pais nos dão essa liberdade para ver o que a gente gosta de fazer.”

“Eu pretendo futuramente ter algo na cidade porque o corpo não aguenta. O trabalho com o corpo é puxado e tem que se cuidar”, Lorena Pena. Foto: Lucas Oliveira

Para a acrobata, ter que se deslocar constantemente de uma cidade para outra é uma das partes mais difíceis da vida no circo. Tudo tem que ser guardado no trailer – casa móvel onde vivem os artistas. A louça deve ser devidamente encaixotada para não correr o risco de quebrar, e os enfeites e porta-retratos, que fazem daquele veículo um lar, não podem ser deixados para trás. Guarda-se tudo, fecha-se o toldo, e os circenses partem com o trailer para outra comunidade. Até que, depois de um tempo, precisam se mudar outra vez.

Lorena disse que, ao chegar em uma nova cidade, muitas vezes ficam sem água e sem luz. Demora um pouco até conseguirem se estabelecer, às vezes um dia inteiro. Já aconteceram casos dos artistas dormirem no escuro. “Mas é só o dia da mudança que é mais complicado pra gente.”

Também existe o lado bom de viver no circo. A vida em comunidade faz com que Lorena se sinta mais segura e cercada de gestos de solidariedade. “Em uma casa normal, na cidade, um ladrão pode até fazer um morador de refém. Já no circo, se alguém der um grito, todos saem para ver o que aconteceu”, contou. Quanto ao trabalho de acrobata, ela disse ser puxado e que exige um bom condicionamento físico, e por isso frequenta a academia e ensaia constantemente.

“Eu estou ali para mostrar a minha arte, o meu trabalho. Tem um milhão de pessoas que fazem a mesma coisa. Tem que fazer bonito”, Lorena Pena. Foto: Lucas Oliveira

As apresentações do Tirullipa Circo Show, em geral, são realizadas de terça à sexta-feira, de 19h às 22h, e nos finais de semana e feriados, de 15h às 22h. A remuneração é por semana trabalhada, sem vínculo empregatício. Lorena não tem carteira assinada, mas afirmou que todos no circo ganham bem. No futuro, ela sonha em estudar e tentar uma outra vida, fora dos picadeiros. “As pessoas estudam para ter uma profissão. A gente já nasce com a profissão. A gente só aprende o necessário. Eu pretendo futuramente ter algo na cidade porque o corpo não aguenta. O trabalho com o corpo é puxado e tem que se cuidar.”

Por enquanto, Lorena segue divertindo o público com seu talento múltiplo e faz isso com muita dedicação. Segundo ela, não basta aparecer, tem que ter postura bonita, perna esticada e ficar na ponta do pé. “Eu estou ali para mostrar a minha arte, o meu trabalho. Tem um milhão de pessoas que fazem a mesma coisa. Tem que fazer bonito. Tem que fazer o povo gostar. Por mais que, às vezes, a pessoa esteja no celular, e  dá raiva, tem que chamar a atenção para que eles gostem.”

Foto de capa: Lucas Oliveira

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