Uesb suspende atividades até 19 de outubro por causa da paralisação dos terceirizados
A decisão, oficializada por meio da Portaria 723/2026, suspende as atividades presenciais em salas de aula dos cursos de graduação e pós-graduação nos três campi 14 de outubro de 2026 < Lázaro Oliveira*Na tarde desta quarta-feira (14/10), a Reitoria da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) suspendeu as atividades presenciais nos três campi, Vitória da Conquista, Jequié e Itapetinga. A medida foi tomada diante da paralisação dos trabalhadores terceirizados por falta de pagamento das empresas Creta e Java.
A decisão, oficializada por meio da Portaria 723/2026, suspende as atividades presenciais em salas de aula dos cursos de graduação e pós-graduação nos três campi a partir das 18h do dia 14 de outubro até as 7h do dia 19 de outubro.
Em nota, a Uesb informou que a suspensão é necessária diante da paralisação de serviços essenciais para o funcionamento da universidade, como limpeza e segurança. No comunicado, a instituição afirmou ainda que solicitou a intervenção do Ministério Público do Trabalho (MPT) a fim de obter a regularização dos pagamentos e evitar novos prejuízos aos trabalhadores.
Além disso, a Reitoria afirmou que a Uesb irá pagar diretamente os trabalhadores das empresas Creta e Java, “mediante utilização dos créditos das respectivas contratadas e dos demais mecanismos previstos nos contratos e na legislação aplicável.” De acordo com a instituição, são cerca de 700 trabalhadores afetados.
Segundo a Uesb, a decisão administrativa de realizar o pagamento direto não resulta em depósito imediato nas contas dos trabalhadores. “Embora a Reitoria tenha determinado a adoção dessa medida já no segundo dia de atraso dos salários, sua efetivação exige o cumprimento de etapas administrativas, orçamentárias e financeiras obrigatórias, que não podem ser dispensadas pela Universidade. […] Esses procedimentos demandam tempo, independentemente da prioridade conferida pela gestão”, diz um trecho do comunicado.
Histórico de atrasos
No dia 9 de setembro, os trabalhadores terceirizados realizaram uma paralisação, alegando atraso no pagamento de salário referente ao mês de agosto pela empresa Creta. As atividades só foram retomadas após a empresa realizar os pagamentos pendentes.
No mês de agosto, os terceirizados também paralisaram as atividades nos três campi, Vitória da Conquista, Jequié e Itapetinga, em protesto contra a empresa Creta. No dia 14 daquele mês, a reitoria da Uesb suspendeu as atividades acadêmicas e administrativas por causa da mobilização dos funcionários. A decisão foi tomada em reunião dos membros do Conselho Superior (Consu), conforme a Portaria 525/2026.
Na época, a universidade informou a criação de uma Comissão Processante para definir ações jurídicas relacionadas ao descumprimento do contrato por parte da Creta.
A Creta não é a primeira terceirizada que descumpre os direitos de trabalhadores da Uesb. Em março de 2025, funcionários terceirizados responsáveis pela limpeza e jardinagem não receberam o pagamento de seus salários referente ao mês de fevereiro daquele ano. Naquele momento, havia um problema contratual com a empresa A7 Serviços, por isso, a Uesb assumiu a responsabilidade de remunerar os trabalhadores.
A A7 Serviços possuía contas bloqueadas na justiça, o que inviabilizava o pagamento dos trabalhadores. Segundo relato dos servidores, a empresa já não cumpria com as demandas financeiras desde o início de 2024. Em seguida, a empresa Creta venceu o processo de licitação e assumiu o contrato com a universidade.
Em 2024, os terceirizados também paralisaram as atividades por falta de pagamento. Após 11 dias de mobilização, os trabalhadores receberam das empresas A7 e Positiva o salário integral e o valor referente a 15 dias de vale-transporte e alimentação.
Foto de capa: Ascom/Uesb